O período de estiagem voltou a aumentar o risco de incêndios no Distrito Federal. Até a primeira quinzena de agosto, foram registradas 3.786 ocorrências de fogo em vegetação na região. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o DF enfrenta uma sequência de mais de 50 dias sem chuva.
Com a vegetação seca e as temperaturas elevadas, áreas de cerrado, unidades de conservação, propriedades rurais e regiões urbanas ficam mais vulneráveis à propagação das chamas.
Apesar das condições climáticas, a maior parte dos incêndios tem origem humana. Cerca de 95% das ocorrências são provocadas por ações das pessoas, segundo os levantamentos utilizados pelos órgãos de prevenção.
Histórico de grandes incêndios
O Distrito Federal já enfrentou incêndios de grandes proporções nos últimos anos.
Em setembro de 2019, um incêndio no Parque Ecológico de Águas Claras destruiu mais de 5 mil metros quadrados de vegetação e atingiu buritis com mais de 300 anos.
No ano seguinte, em agosto de 2020, um incêndio em um núcleo rural de Planaltina atingiu quatro propriedades. Brigadistas e bombeiros trabalharam durante 72 horas para controlar as chamas. Três casas foram destruídas e aproximadamente 40 mil metros quadrados de plantações foram queimados.
Em setembro de 2022, um incêndio de grandes proporções atingiu o Parque Nacional de Brasília e consumiu uma área equivalente a 14 mil campos de futebol.
Queimadas podem causar danos e são crime
Com a maior parte dos incêndios associada à ação humana, medidas simples podem ajudar a evitar novas ocorrências.
A orientação é não utilizar fogo para queimar lixo, entulho ou restos de poda e para limpar terrenos. No caso de fogueiras, é necessário apagar completamente as chamas antes de deixar o local.
A queima irregular de resíduos também é considerada crime ambiental e pode colocar em risco áreas de vegetação, propriedades e vidas.
Ao identificar um incêndio, a recomendação é não tentar combater as chamas por conta própria. A população deve acionar o Corpo de Bombeiros e comunicar às autoridades situações de queimadas irregulares.
El Niño pode prolongar estiagem
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa) apontam para uma evolução das condições associadas ao El Niño no ciclo 2026/2027.
O cenário pode contribuir para a continuidade da estiagem e para temperaturas mais altas no Brasil Central. Embora ainda não seja possível determinar a intensidade máxima do fenômeno, as condições aumentam o risco de incêndios no cerrado, principalmente em áreas degradadas.
Diante da possibilidade de agravamento do período seco, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) reforçou a preparação conjunta com os estados e o Distrito Federal para prevenção e combate aos incêndios florestais.
A estratégia envolve antecipar o planejamento, integrar equipes e concentrar esforços nas regiões consideradas mais vulneráveis.
Com a estiagem prolongada, a prevenção e a conscientização da população se tornam fundamentais para reduzir o risco de incêndios e proteger o cerrado, propriedades e vidas. Afinal, é possível saber onde o fogo começa, mas não onde ele pode terminar.





