Política
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    O Ministério Público Eleitoral (MPE) recomendou a cassação dos mandatos do prefeito eleito de Angra dos Reis, Cláudio de Lima Sírio (MDB), o “Ferreti”, e de seu vice, Rubens Rocha de Andrade (PP), conhecido como “Rubinho Metalúrgico”, por entender que eles foram diretamente beneficiados por conduta abusiva do ex-prefeito Fernando Antônio Ceciliano Jordão (MDB) nas últimas eleições municipais. O pedido foi feito após análise de uma ação judicial, que aponta que o então prefeito do município utilizou, em 2024, a máquina pública para prejudicar um adversário do candidato que foi apoiado por ele durante as eleições daquele ano. O mesmo documento também solicita que a Justiça torne inelegível por oito anos o ex-mandatário, Fernando Jordão, e a empresária Gabriela Athias, que teria participado diretamente das práticas abusivas. O parecer foi emitido nesta terça-feira (09) pelo promotor eleitoral Daniel Marones de Gusmão Campos, que concluiu a fase de alegações finais da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), 147ª Zona Eleitoral. A ação foi impetrada pelo escritório de advocacia de Tiago Santos. Ex-funcionários teriam sido pagos com recursos públicos para gravar vídeos contra adversário, diz MPE A ação original foi movida pela coligação “Angra para Todos”, formada pelos partidos PL e NOVO, que denunciou que os investigados teriam financiado e orquestrado uma “milícia digital” para gravar e disseminar em massa vídeos difamatórios falsos contra o então candidato adversário, Renato Araújo (PL), utilizando recursos públicos e a estrutura da prefeitura. O MPE analisou os depoimentos, mensagens de WhatsApp e laudos periciais da Polícia Federal para concluir que houve uma infração grave de abuso de poder político por parte de Fernando Jordão, beneficiando diretamente a chapa que saiu vencedora nas eleições. Gabriela Athias, que aparece como sócia da empresa SOMMA, prestadora de serviços de comunicação para a Prefeitura de Angra dos Reis, teria recrutado e pago ex-funcionários de Renato Araújo para gravar vídeos prejudiciais a ele, de acordo com o MPE. A promotoria entendeu que houve desvio de finalidade, com uso da influência e da estrutura da administração pública para prejudicar um adversário político e beneficiar o candidato apoiado pelo Executivo. mprj Troca de mensagens entre Gabriela Athias com Fabrício Davy, apontado como o recrutador das testemunhas utilizadas nos vídeos — Foto: Reprodução/MPRJ Testemunhos confirmaram que houve o pagamento em espécie para que ex-funcionários de Renato Araújo aceitassem gravar os vídeos, que foram coordenados com a ajuda de pessoas ligadas ao núcleo político do Poder Executivo da época. Diferentemente da acusação na ação, o MP Eleitoral entendeu que não há provas de que os vídeos tenham sido divulgados por meio de disparos em massa. Além disso, as gravações não foram consideradas “fake news”, já que os relatos dos ex-funcionários sobre problemas trabalhistas na empresa de Renato Araújo correspondiam a situações efetivamente vivenciadas por eles, ainda que o conteúdo fosse prejudicial ao candidato. Cassação do mandato Em sua análise final, o Ministério Público Eleitoral solicitou à Justiça a cassação dos diplomas do atual prefeito e do vice de Angra dos Reis, Cláudio Ferreti e Rubinho Metalúrgico. O pedido está diretamente ligado à atuação do ex-prefeito Fernando Jordão, que utilizou a máquina pública para atuar ativamente na promoção de Ferreti, buscando eleger seu aliado e sucessor político. Segundo a promotoria, Jordão acompanhava de perto a estratégia de gravação dos vídeos contra a oposição por meio de pessoas de sua estrita confiança, como a secretária de seu irmão. Além desse alinhamento nos bastidores, o ex-prefeito explorou publicamente o material difamatório durante a campanha, citando trechos das gravações em uma carreata e compartilhando o conteúdo no grupo privado de WhatsApp “Amigos do ICA”. Casado com a deputada estadual Célia Jordão (PSD), Fernando Jordão mantém um longo histórico na política fluminense, tendo exercido o cargo de deputado federal pelo Rio de Janeiro. Os pedidos de cassação e de inelegibilidade agora aguardam a decisão do juiz da 147ª Zona Eleitoral de Angra dos Reis, que será o responsável por proferir a sentença. Caso o parecer seja favorável ao MPE, as defesas dos envolvidos ainda vão poder recorrer da decisão.

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