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Fernando de Noronha ganha novo olhar com projeto que revela a grandiosidade do mundo subaquático

Fotografias panorâmicas mostram naufrágios e formações naturais do arquipélago em uma dimensão que poucos visitantes conseguem conhecer

Às vésperas de completar 523 anos, nesta segunda-feira (10), Fernando de Noronha ganha um novo olhar sobre sua paisagem. Conhecido pelas praias, falésias e águas cristalinas, o arquipélago agora tem parte de sua beleza submersa revelada pelo projeto fotográfico Panorâmicas de Noronha.

A iniciativa apresenta imagens panorâmicas produzidas a partir de registros feitos durante mergulhos. A técnica combina de três a mais de 24 fotografias para formar uma única composição, permitindo mostrar com mais precisão a dimensão, os detalhes e a complexidade das paisagens existentes debaixo d’água.

Idealizado pela fotógrafa subaquática Fabi Fregonesi, primeira brasileira a conquistar um pódio no Underwater Photographer of the Year, em parceria com o mergulhador e fotógrafo subaquático Raphael Gatti, o projeto percorreu 16 pontos de mergulho durante uma expedição de três semanas pelo arquipélago.

Entre os locais registrados estão Pedras Secas I e II, Cabeço da Sapata, Corveta V-17 e Trinta Réis, conhecidos pela biodiversidade e pelas impressionantes formações naturais.

“Esse projeto nasce de uma inquietação: a sensação de que o que a gente vê no mergulho em Noronha raramente é possível ser traduzido em imagem”, explica Fabi Fregonesi. Segundo ela, a fotografia panorâmica foi a maneira encontrada para representar a dimensão do oceano e mostrar o território submerso como ele realmente é: “grandioso, complexo e vivo”.

Técnica amplia a percepção sobre o fundo do mar

Na fotografia subaquática, a técnica panorâmica ganha importância porque a água entre a câmera e o objeto reduz a nitidez das imagens. Por isso, os registros são feitos de perto e posteriormente unidos em uma única composição.

O resultado preserva detalhes, texturas e profundidade e permite ao público visualizar áreas que, normalmente, aparecem apenas em fotografias isoladas.

Um dos principais exemplos é a Corveta Ipiranga (V-17), navio de guerra que naufragou em 1983 após colidir com o Cabeço da Sapata. O naufrágio está a aproximadamente 62 metros de profundidade.

No projeto, três fotografias foram combinadas para formar uma imagem contínua da embarcação. A composição ajuda a revelar a dimensão do naufrágio e permite uma percepção mais próxima de seu tamanho real.

O mergulhador que aparece nas imagens também tem uma função importante: serve como referência de escala.

“Se não usássemos um mergulhador para compor a imagem, a escala do local se perderia e as pessoas não conseguiriam ter noção do tamanho real daquele ambiente”, explica Fabi.

Registro exigiu precisão e segurança

A produção das imagens da Corveta Ipiranga exigiu planejamento e precisão. O mergulho durou cerca de 65 minutos, mas apenas entre 15 e 17 minutos foram destinados aos registros fotográficos do naufrágio, seguindo os protocolos de segurança necessários para a profundidade.

“Não existia margem para erro. A segurança vinha sempre em primeiro lugar, mas isso também exigia muita precisão. Precisávamos ser extremamente assertivos nas imagens que queríamos capturar”, afirma Raphael Gatti.

Uma Noronha além das praias

Reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco e considerado um dos principais territórios de conservação marinha do planeta, Fernando de Noronha costuma ser associado principalmente às paisagens acima da linha d’água.

O Panorâmicas de Noronha amplia essa percepção ao revelar a grandiosidade do arquipélago também sob o oceano. Além do aspecto artístico, o projeto pretende estimular uma relação maior entre o público e a conservação ambiental.

“Quando mostramos a escala e a beleza desses ambientes, a relação muda. Não é apenas uma foto de um ponto de mergulho, mas um território grandioso que precisa ser preservado. A fotografia tem o poder de aproximar e gerar cuidado”, afirma Fabi.

Realizado de forma independente, o projeto contou com apoio operacional da operadora de mergulho Águas Claras, responsável pela logística da expedição.

Para Raphael Gatti, o trabalho representa apenas o começo da exploração desse universo. “Saímos de Noronha com a sensação de que esse é só o começo. Ainda existe muito a ser revelado debaixo d’água.”

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