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Cláudio Castro entra na mira da PF em nova fase da operação que investiga Refit

Operação Sem Refino cumpre 16 mandados de busca e apreensão no Rio; investigação apura suspeitas de fraude em licenças ambientais, lavagem de dinheiro e outros crimes

A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (14), a segunda fase da Operação Sem Refino, que investiga possíveis irregularidades relacionadas à Refinaria de Manguinhos (Refit), no Rio de Janeiro. Entre os alvos estão o ex-governador do Rio Cláudio Castro e o ex-secretário estadual do Ambiente e Sustentabilidade Bernardo Rossi.

Ao todo, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o cumprimento de 16 mandados de busca e apreensão.

A nova etapa apura suspeitas de fraude na concessão de licenças ambientais para a refinaria, além de possíveis crimes de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, evasão de divisas, manipulação de mercado e irregularidades relacionadas à comercialização de combustíveis.

Buscas no Rio

Agentes da PF realizaram buscas em um endereço ligado a Cláudio Castro, em Petrópolis, na Região Serrana. A polícia também cumpriu mandados em um condomínio de alto padrão na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da capital.

Durante as diligências, os agentes apreenderam três veículos de luxo em um dos endereços investigados: uma BMW X6, avaliada em cerca de R$ 815 mil; uma Mercedes-Benz GLC 220, com valor estimado entre R$ 194 mil e R$ 258 mil; e uma Kia Carnival, avaliada em aproximadamente R$ 680 mil, segundo valores da tabela Fipe.

O que a PF investiga?

Segundo os investigadores, a apuração identificou indícios de que o processo de licenciamento ambiental da Refit teria sido conduzido sem seguir adequadamente orientações de órgãos técnicos.

A PF afirma que Cláudio Castro não atuava diretamente na análise dos licenciamentos. Esse trabalho estaria sob responsabilidade de integrantes da estrutura ambiental do governo, entre eles Bernardo Rossi e o então presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Renato Jordão Bussiere.

Apesar disso, os investigadores sustentam que Castro mantinha proximidade com o grupo empresarial e teria criado um ambiente favorável aos interesses da Refit.

A PF chegou a analisar o celular do ex-governador como parte das investigações.

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Relação entre Castro e Bernardo Rossi

Bernardo Rossi foi secretário estadual de Governo entre março de 2023 e março de 2024 e, posteriormente, assumiu a Secretaria do Ambiente e Sustentabilidade.

Segundo a investigação, uma renovação de licença de funcionamento da Refit ocorreu depois de mudanças promovidas pelo governo Castro na estrutura da área ambiental do estado.

Rossi era considerado um aliado próximo do ex-governador. A investigação também cita viagens realizadas pelos dois em jatos executivos durante o período em que Castro estava à frente do governo estadual.

Em fevereiro deste ano, registros oficiais indicavam que Castro faria “despachos internos”. Registros de voos, porém, mostram que ele viajou para Brasília acompanhado de Rossi e, posteriormente, seguiu para Salvador.

Outros alvos

Além de Castro e Rossi, empresários e pessoas ligadas ao ex-governador também são alvos das buscas. Entre eles estão:

  • Antonio Carlos Santos, conhecido como Pipo – advogado e aliado de Castro;
  • Luiz Fernando Gomes – empresário do setor da construção civil;
  • José Mauro Farias Junior – ex-secretário estadual de Transformação Digital e proprietário da empresa que possui um apartamento na Barra onde Castro mora;
  • Mauricio Leite – sócio da empresa 7 Pilares Assessoria;
  • Ana Carolina Miranda – sócia da 7 Pilares Assessoria e mulher de Mauricio Leite.

Pipo também acompanhou Castro e Rossi na viagem de jatinho para Brasília e Salvador mencionada na investigação. Nesta sexta-feira, agentes realizaram buscas em um endereço ligado ao advogado no condomínio Quintas do Rio, na Barra da Tijuca.

O que diz a defesa de Castro?

A defesa de Cláudio Castro nega irregularidades e afirma que os atos praticados durante a gestão do ex-governador seguiram critérios técnicos, jurídicos e administrativos previstos em lei.

Os advogados também destacaram que o governo Castro teria sido responsável por cobrar dívidas da Refinaria de Manguinhos com o Estado do Rio, em valores próximos de R$ 1 bilhão, além de ter ajuizado ações para recuperar os recursos.

A defesa informou ainda que o imóvel visitado pela PF em Petrópolis não tem mais relação com o ex-governador.

A defesa de Bernardo Rossi também negou qualquer participação em irregularidades envolvendo a Refit e afirmou que sua atuação na Secretaria do Ambiente ocorreu dentro da legalidade e seguindo orientações técnicas e jurídicas dos órgãos responsáveis.

Primeira fase da Operação Sem Refino

Cláudio Castro já havia sido alvo da primeira fase da Operação Sem Refino, realizada em maio. Na ocasião, o empresário Ricardo Magro, ligado à Refit, também foi investigado.

Na primeira etapa, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.

Segundo a PF, o governo estadual teria direcionado recursos e estruturas públicas para beneficiar o conglomerado empresarial ligado a Magro.

Os investigadores também citaram uma legislação estadual sancionada por Castro em outubro de 2025, apelidada informalmente de “Lei Ricardo Magro”. A norma criou um programa especial de parcelamento de créditos tributários e não tributários do estado.

Para a PF, as condições estabelecidas pela legislação seriam especialmente favoráveis ao conglomerado.

Operação teve como principal alvo do Grupo RefitFoto: Divulgação

Refit nega irregularidades

Na primeira fase da operação, a Refit negou as acusações e afirmou que as ações contra o grupo prejudicariam a concorrência no mercado de combustíveis.

Na semana passada, o governo do Rio pediu à Justiça a conversão em falência da recuperação judicial do Grupo Manguinhos, controlador da Refit.

A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) afirma que o grupo acumula mais de R$ 25,7 bilhões em dívidas tributárias e teria deixado de cumprir um acordo para pagamento de débitos com o estado.

A atual gestão estadual também criou, em maio, um grupo de trabalho para revisar os processos de licenciamento ambiental da Refit.

A Operação Sem Refino faz parte de uma investigação mais ampla relacionada à chamada ADPF das Favelas, que trata da atuação de organizações criminosas e de possíveis conexões com agentes públicos no Rio de Janeiro.

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