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Anvisa apura suspeitas de doença ocular após uso de canetas

Ozempic, Wegovy e Mounjaro aparecem nas notificações de neuropatia óptica; agência ressalta que os registros não comprovam relação com os medicamentos

Caroline Vale

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) identificou 11 notificações de suspeitas de neuropatia isquêmica óptica associadas a medicamentos em formato de caneta da classe dos agonistas de GLP-1, que são indicados para tratamento contra diabetes e obesidade.

Ao SBT News, a Anvisa disse que os registros incluem: cinco notificações envolvendo Ozempic, três Wegovy, duas Wegovy FlexTouch e uma Mounjaro.

Além das canetas, a Anvisa registrou duas notificações envolvendo Rybelsus, que também contém semaglutida, mas é administrado por via oral.

A neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica, conhecida pelas siglas NOIANA ou NAION, é uma condição que pode causar perda de visão. A Anvisa, porém, ressalta que as notificações são suspeitas de eventos adversos e não representam casos confirmados da doença.

Segundo a agência, a simples presença do medicamento e do evento em uma notificação não estabelece que o remédio tenha causado a neuropatia ou a perda de visão.

“Essa avaliação depende da qualidade e da completude das informações clínicas disponíveis em cada caso, incluindo confirmação diagnóstica, relação temporal, condições clínicas do paciente, uso de outros medicamentos e possíveis causas alternativas”, explicou.

A Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, afirmou em nota que, até o momento, os dados disponíveis não confirmam relação causal entre a semaglutida e a NOIANA. Segundo a empresa, análises clínicas não identificaram aumento na ocorrência da doença entre pacientes que usaram o medicamento. A farmacêutica disse que segue monitorando os casos por meio da farmacovigilância.

Notificações no Brasil

A agência destacou que entre 2018 e agosto de 2026 foram identificadas 24 notificações de suspeitas de neuropatia isquêmica óptica, envolvendo diferentes medicamentos, como imunomoduladores, antineoplásicos, antidiabéticos e medicamentos de uso oftalmológico, e não exclusivamente “canetas de GLP1”.

Entre os agonistas de GLP-1, constam:

  • Ozempic: 5 notificações;
  • Wegovy: 3 notificações;
  • Wegovy FlexTouch: 2 notificações;
  • Rybelsus: 2 notificações;
  • Mounjaro: 1 notificação.

Considerando o princípio ativo, foram identificadas 12 notificações envolvendo semaglutida e uma envolvendo tirzepatida.

Alerta para semaglutida

A Anvisa já havia alertado, em junho de 2025, sobre a NOIANA como um evento adverso muito raro associado à semaglutida. A agência determinou a inclusão do risco nas bulas de medicamentos que contêm o princípio ativo, como Ozempic, Rybelsus e Wegovy.

Na NOIANA, ocorre uma interrupção ou redução do fluxo sanguíneo para a parte anterior do nervo óptico, causando lesão das fibras nervosas e podendo provocar perda súbita de visão. O quadro pode variar de leve a grave, além de visão embaçada ou alterações no campo visual. A causa exata não é completamente conhecida, e o diagnóstico é feito por avaliação oftalmológica e exames. Em muitos casos, a perda visual pode ser permanente.

A orientação é que pacientes que apresentarem perda súbita ou piora rápida da visão procurem atendimento médico imediatamente. Caso a NOIANA seja confirmada, a recomendação da agência é interromper o tratamento com semaglutida.

Os medicamentos com semaglutida e outros agonistas de GLP-1 são sujeitos a prescrição médica e retenção de receita. A Anvisa orienta que os pacientes sigam as indicações da bula e as recomendações dos profissionais de saúde.

O que dizem as empresas dos medicamentos?

Novo Nordisk

“A segurança dos pacientes é prioridade máxima para a Novo, e levamos muito a sério todos os relatos de eventos adversos. Nos preocupamos profundamente com o bem-estar das pessoas que utilizam nossos medicamentos e colaboramos estreitamente com autoridades de saúde e órgãos reguladores em todo o mundo.

A semaglutida possui um perfil de segurança bem estabelecido, apoiado por robustos programas de desenvolvimento clínico, com exposição pós-comercialização superior a 58 milhões de pacientes-ano em formulações orais e injetáveis para obesidade e diabetes tipo 2 (estudos SUSTAIN, PIONEER, STEP, SELECT, STRIDE, SOUL, FLOW, ESSENCE). A semaglutida tem a maior exposição pós-comercialização entre as terapias baseadas em GLP-1, proporcionando uma experiência substancial em diversas populações de pacientes.

Recomendamos que todos os pacientes mantenham contato próximo com seus profissionais de saúde para diagnósticos corretos, tratamento adequado, orientação contínua e monitoramento cuidadoso.

Uma análise agrupada (pooled analysis) publicada de ensaios clínicos da Novo, randomizados e controlados por placebo, com liraglutida e semaglutida, englobando mais de 83.000 pacientes-ano de observação no braço da semaglutida, identificou pouquíssimos casos de NOIA (Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior) confirmados por oftalmologistas e não demonstrou um aumento na incidência de NOIA em participantes que receberam semaglutida. Análises estatísticas sugeriram que a ocorrência de casos de NOIA foi independente do fato de os participantes terem recebido semaglutida ou placebo.

A NOIA está sendo avaliada como parte da farmacovigilância de rotina. A vigilância contínua de todos os dados de segurança não alterou essa conclusão. Uma relação causal entre agonistas do receptor de GLP-1, incluindo a semaglutida, e a NOIA não pode ser confirmada com base na totalidade dos dados. Esta avaliação baseia-se na ausência de desequilíbrios nos dados de estudos clínicos, nas limitações dos poucos estudos epidemiológicos disponíveis, na ausência de evidências de associação em dados não clínicos, no padrão inconsistente dos poucos casos pós-comercialização e na ausência de um mecanismo de ação conhecido.”

A Eli Lilly também foi acionada e não retornou. O espaço segue aberto para eventual manifestação.

 

Fonte https://sbtnews.sbt.com.br/noticia/saude/anvisa-apura-suspeitas-de-doenca-ocular-apos-uso-de-canetas

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