Os viadutos de Manaus estão ganhando novas cores e se transformando em galerias de arte a céu aberto. A iniciativa integra o projeto “Manaus em Cores: Arte que Protege”, lançado no fim de agosto, que combina a recuperação de estruturas viárias com a valorização da cultura amazônica e da arte urbana.
Na primeira fase, os murais são assinados exclusivamente por mulheres grafiteiras, que levam para as estruturas referências às lendas, à ancestralidade indígena e às paisagens da região.
O trabalho começou no viaduto Dom Jackson Damasceno Rodrigues, conhecido como viaduto do Olímpico, no cruzamento da Avenida Constantino Nery com a Rodovia Álvaro Maia, entre o Centro e a Zona Sul da capital amazonense.
Lendas e tradições ganham espaço nos viadutos
Entre as artistas responsáveis pelas pinturas estão Alie, Deborah Erê, Sarah Ferreira, Mia Montreal e Oli. As obras apresentam diferentes interpretações da identidade amazônica, aproximando a arte do cotidiano de quem circula pela cidade.
A artista Deborah Erê, por exemplo, retrata a lenda da Iara, figura mitológica associada às águas dos rios amazônicos. Já Oli utiliza o realismo para abordar a ancestralidade indígena e a lenda do guaraná, com a imagem de uma mulher adornada por frutos.
As intervenções transformam estruturas tradicionalmente associadas ao trânsito em espaços de expressão cultural e ampliam a visibilidade de artistas que atuam na cena urbana.
Recuperação contempla dez viadutos
O projeto faz parte de um programa da Prefeitura de Manaus que prevê a recuperação de dez viadutos. Além das pinturas, os serviços incluem reparos em fissuras, juntas de dilatação, sistemas de drenagem, iluminação e paisagismo.
A iniciativa é desenvolvida pelo Conselho Municipal de Cultura (Concultura), em parceria com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf).
Para reduzir os impactos na mobilidade urbana, parte das intervenções é realizada durante a noite e a madrugada, períodos de menor circulação de veículos.
Arte urbana se espalha pela cidade
Outras estruturas de Manaus também estão recebendo intervenções artísticas. Na passagem entre as avenidas Constantino Nery e Theomário Pinto, por exemplo, grafites de artistas como André Hullk e Teo Onda incorporam elementos da cultura regional.
Uma das obras homenageia os bois do Festival de Parintins, manifestação cultural reconhecida em todo o país.
A proposta é integrar arte, infraestrutura e valorização da identidade local, fazendo com que espaços de grande circulação também funcionem como pontos de contato da população com a cultura amazônica.
Com a iniciativa, Manaus busca renovar a paisagem urbana e ampliar a presença da arte nos espaços públicos, destacando a produção de artistas locais e as tradições que marcam a história da região.





