A Ri Happy, uma das maiores redes de varejo de brinquedos do Brasil, entrou com um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas. A solicitação foi apresentada à Justiça de São Paulo no domingo (18) e abrange seis empresas do grupo, incluindo a PBKids.
A iniciativa faz parte de um processo de reestruturação financeira e operacional, pouco mais de um mês após a aquisição da companhia pela BluSun Capital Partners, em agosto de 2026.
Segundo informações divulgadas pela empresa e pela imprensa econômica, credores responsáveis por R$ 308,8 milhões em dívidas já haviam aderido à proposta de negociação, o equivalente a aproximadamente 42,4% do valor abrangido pelo plano.
O que levou a rede à crise financeira?
Nos documentos apresentados à Justiça, a companhia atribui as dificuldades a uma combinação de fatores econômicos e mudanças no mercado de brinquedos.
Entre os principais motivos apontados estão os efeitos da pandemia de Covid-19, que provocou o fechamento temporário de lojas e shopping centers, o aumento dos juros, a redução do poder de compra das famílias e a perda de força nas vendas do varejo.
A empresa também menciona o avanço de plataformas internacionais de comércio eletrônico, como Shopee e AliExpress, que ampliaram a concorrência com produtos importados vendidos a preços mais baixos.
Em 2023, a Ri Happy já havia renegociado cerca de R$ 292 milhões em dívidas bancárias. A medida, porém, não teria produzido a recuperação financeira esperada, levando o grupo a buscar um novo acordo com os credores.
O que é recuperação extrajudicial?
A recuperação extrajudicial é um mecanismo que permite às empresas negociar diretamente com seus credores um plano para reorganizar o pagamento das dívidas. O acordo pode ser submetido à homologação da Justiça, conforme as regras legais aplicáveis.
A medida é diferente da recuperação judicial, embora ambas sejam utilizadas por empresas que enfrentam dificuldades financeiras.
O pedido, por si só, não significa que o plano já tenha sido aprovado pela Justiça nem que todas as dívidas tenham sido renegociadas. A proposta depende do cumprimento dos requisitos legais e da obtenção do apoio necessário dos credores.
Lojas continuam funcionando
Apesar do pedido, a Ri Happy informou que suas lojas físicas e plataformas digitais seguem funcionando normalmente. A empresa também mantém os preparativos para a Black Friday e o Natal, períodos considerados estratégicos para o comércio de brinquedos.
O grupo reúne as marcas Ri Happy e PBKids, além de empresas ligadas à administração de franquias, importação, distribuição e gestão de marcas. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a operação conta com aproximadamente 292 lojas, entre unidades próprias e franqueadas, e mais de 2.600 funcionários.
Mudança de controle e reestruturação
A BluSun Capital Partners assumiu o controle da companhia em agosto de 2026. Com a mudança, Héctor Núñez voltou à liderança da rede.
A nova gestão iniciou um processo de revisão das despesas e da estrutura operacional, com o objetivo de reorganizar as finanças e garantir a continuidade das atividades.
A renegociação de R$ 827,4 milhões representa uma etapa importante desse processo. O desafio agora é obter o apoio necessário dos credores e construir um acordo que permita à empresa reorganizar seus compromissos financeiros sem interromper as operações.





