Integrantes do Conselho Empresarial da Firjan Norte Fluminense acompanharam, em Campos dos Goytacazes, a apresentação do Mapeamento dos Recicláveis Pós-Consumo. Produzido pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, o estudo aponta ganhos de até R$ 11,6 bi com reaproveitamento de resíduos sólidos. Realizado na quarta-feira, 14/10, o encontro promoveu o debate sobre os desafios da reciclagem, as oportunidades de negócios e a importância de fortalecer a cadeia produtiva no Norte Fluminense.
Lançada no final de 2025, a terceira edição do estudo revela que mais de 2,5 milhões de toneladas de resíduos potencialmente recicláveis foram destinadas a aterros sanitários no estado, em 2023. Esse volume representa um valor de mercado estimado em mais de R$ 2,6 bilhões, que poderia ser aproveitado como matéria-prima em diferentes atividades industriais.
De acordo com o gerente de Sustentabilidade da Firjan, Jorge Peron Mendes, o aproveitamento desses materiais pode gerar benefícios econômicos expressivos. “O valor de R$ 2,6 bilhões, se reinserido na cadeia produtiva, poderia ser transformado em R$ 6 bilhões adicionais para a economia brasileira”, destaca.
A partir de dados públicos, o estudo traça a trajetória dos resíduos recicláveis gerados e recebidos no estado e gera insights que colaboram para o fortalecimento do encadeamento produtivo da reciclagem no território fluminense. O levantamento aponta ainda que a expansão da reciclagem poderia gerar R$ 11,6 bilhões em renda, a partir de lucros e salários projetados, e contribuir para a criação de 40,6 mil empregos diretos e indiretos no país.
Na região Norte Fluminense, o mapeamento identificou uma cooperativa, 11 empresas de gerenciamento de resíduos e dez intermediários, mas nenhuma indústria recicladora. Para o presidente da Firjan Norte Fluminense, Francisco Roberto de Siqueira, o cenário evidencia oportunidades. “A indústria de reciclagem vai contribuir para ampliar a estrutura de coleta, beneficiamento e transformação dos materiais recicláveis na nossa região, reduzindo a necessidade de encaminhá-los para outros territórios”, pontua.
Durante a reunião do Conselho Empresarial, os participantes discutiram os obstáculos que impedem o avanço do setor, como a falta de coleta seletiva, os custos logísticos e a necessidade de políticas públicas e incentivos que tornem as atividades de reciclagem mais competitivas.
O empresário Rodrigo Martins, da Enaltec, ressaltou o potencial econômico dos resíduos para os municípios. “O resíduo pode virar recurso para a cidade, mas a ineficiência do poder público enterra o dinheiro quando não recicla. Os municípios já deveriam ter se atentado a isso”, afirmou.
Outro ponto debatido foi o aproveitamento do vidro pela indústria. Embora existam possibilidades de utilização desse material em processos produtivos, a falta de uma estrutura eficiente de coleta e destinação dificulta seu retorno à cadeia industrial.
A pesquisa da Firjan identifica pontos críticos e propõe a otimização de processos, observando as melhores práticas e alinhando-se às políticas públicas de economia circular, que incentivam a redução de resíduos e práticas sustentáveis. O estudo apresenta 12 propostas de ação para fortalecer o setor no estado, incluindo melhorias na coleta de dados, incentivos, formalização dos agentes da cadeia e medidas para ampliar a competitividade das empresas.
O Mapeamento dos Recicláveis pós-consumo no estado do Rio de Janeiro está disponível na plataforma Observatório Firjan.





