Política

Luciana Polati cobra transparência na saúde ao lançar pré-candidatura à Alerj

Durante coletiva de imprensa, empresária subiu o tom contra os gargalos na saúde pública, cobrou melhorias nas rodovias e defendeu pautas para mulheres e famílias atípicas

Em um movimento que mexe com o cenário político da Região dos Lagos, a empresária Luciana Polati oficializou sua pré-candidatura a deputada estadual pelo Partido AGIR. O anúncio ocorreu na segunda-feira (6), durante uma coletiva de imprensa realizada no município de Araruama e transmitida ao vivo para um público simultâneo de mais de 4 mil internautas.

Com um discurso enfático, pautado pelo tom de cobrança e por relatos de sua experiência no setor privado, Polati justificou sua pretensão na disputa eleitoral a partir de demandas locais crônicas, como os gargalos na saúde pública, a precariedade das rodovias estaduais e os índices de violência contra a mulher na região.

A trajetória de Luciana Polati na iniciativa privada foi apresentada como o principal pilar de sua sustentação política. Nascida e criada em Araruama, ela relembrou que começou a trabalhar na infância, auxiliando os pais no comércio familiar. Graduada em Administração de Empresas na cidade vizinha de Cabo Frio, devido à ausência de cursos específicos em seu município natal na época, ela estruturou uma empresa que chegou a empregar mais de 120 colaboradores. Durante a coletiva, a empresária relembrou o revés econômico que enfrentou após uma tragédia destruir as instalações de seu negócio, momento que apontou como decisivo para sua aproximação com a realidade social de seus funcionários.

A decisão de ingressar no campo político-partidário foi atribuída a um sentimento de desconforto com a gestão dos serviços públicos. Segundo declarou Luciana Polati, o contato diário com as dificuldades enfrentadas pela classe trabalhadora a motivou a buscar representatividade legislativa.

“Eu resolvi entrar na política por um sentimento, que é o sentimento da revolta”, afirmou a pré-candidata. “Eu não estou aqui para ser somente mais um número; não estou aqui para ser mais um nome. Estou aqui para fazer a diferença e para ser referência da nossa cidade, da nossa região e para o Estado do Rio de Janeiro”.

GARGALOS NA SAÚDE E INFRAESTRUTURA REGIONAL 

O centro das críticas apresentadas pela pré-candidata concentrou-se na operação do sistema de saúde do Estado. Polati citou o drama de um funcionário cujo filho necessitou de transferência emergencial devido a um quadro grave de bronquiolite e pneumonia, sendo enviado para outra região do estado por falta de suporte local. A atuação da Central de Regulação do Estado foi questionada pela empresária, que cobrou maior transparência e qualificação técnica nos remanejamentos de pacientes.

O Hospital Regional de Araruama também foi alvo das contestações de Luciana Polati. A pré-candidata classificou a unidade como um espaço de acesso restrito, que não cumpre integralmente seu papel de atendimento à população local.

“Nós temos aqui em Araruama o Hospital do Estado, o Hospital Regional, que é um hospital de portas fechadas que só entra lá quem eles querem”, criticou a empresária. “Eu quero estar na Alerj para fazer essa pergunta: por que esse hospital não atende quem de fato ele tem que atender? Quem de fato ele tem que estar com as portas abertas?”

A situação da malha rodoviária que corta a Região dos Lagos foi outro ponto abordado na coletiva. Polati mencionou o falecimento de um de seus colaboradores por atropelamento na Estrada de São Vicente, associando o episódio à falta de acostamento e sinalização nas vias estaduais. Ela argumentou que a deterioração das estradas ocorre a despeito do aumento da arrecadação de taxas e da instalação de radares de velocidade, prejudicando o fluxo logístico e o turismo, vetor econômico da região.

Quanto à sua relação com os chefes do Executivo local, Polati frisou que sua primeira ação, ao decidir ser pré-candidata, foi comunicar a decisão pessoalmente à prefeita de Araruama, Daniela Soares. “A vida é feita de relacionamentos e de respeito. Ela é a autoridade do município. Eu fui no gabinete e falei: ‘Daniela, estou vindo aqui para você saber da minha boca que eu serei pré-candidata. Eu quero te ajudar’. Se ela me pedir algo, eu tenho que me virar para trazer”. A postulante defendeu que deputados devem ter uma relação de harmonia com todos os executivos do estado, sem “fazer guerra”.

SEGURANÇA DA MULHER E PAUTA DA INCLUSÃO 

O avanço dos índices de violência doméstica na Região dos Lagos foi apontado como prioridade na agenda da pré-candidata. Luciana Polati relembrou casos recentes de feminicídio registrados em municípios vizinhos para cobrar políticas públicas mais efetivas de proteção às mulheres e punições rigorosas aos agressores, evitando que os episódios sejam reduzidos a dados estatísticos.

Mãe de uma criança diagnosticada com altas habilidades e superdotação, a empresária também inseriu a pauta da inclusão de pessoas neurodivergentes e com deficiência em seu pronunciamento. De acordo com Luciana, as diretrizes de acessibilidade e suporte pedagógico governamentais necessitam sair do plano teórico e ganhar aplicabilidade prática nas instituições de ensino e saúde do Estado.

ARTICULAÇÃO PARTIDÁRIA E BASES DE APOIO 

A filiação de Luciana Polati ao Partido AGIR foi oficializada após articulação conduzida pela prefeita de Guapimirim, Marina Rocha, que divide a coordenação da legenda no estado. Como reflexo dessa aproximação, a empresária assumiu a presidência estadual do movimento AGIR MULHER, ala voltada ao estímulo de candidaturas femininas e formulação de propostas voltadas aos direitos das mulheres.

Questionada sobre a falta de experiência em cargos eletivos anteriores, Polati rebateu as críticas mencionando a necessidade de renovação nos quadros políticos e destacando sua experiência na gestão de pessoas e na administração de crises no ambiente corporativo.

“Se fosse por experiência, não tinha tanta gente presa”, argumentou a pré-candidata, fazendo referência aos recorrentes escândalos políticos que atingiram o parlamento fluminense nos últimos anos. “Eu tenho experiência com pessoas, com gente, em saber as necessidades”, complementou.

Ao ser confrontada por jornalistas sobre o risco de ser “mais do mesmo” e sobre a prática de promessas vazias em campanha, a resposta foi direta: “Eu prometo me comprometer a dar o meu melhor. Eu não vou ser deputada, eu estarei deputada. Eu não quero equipe que me blinde da verdade. Quero ter um lugar para atender a população e ouvir as demandas”.

Para encerrar, a pré-candidata se dirigiu ao público que acompanhava a live: “Vocês me deram o que vocês têm de mais importante hoje, que é tempo e atenção. Vocês podem ter certeza de que terão uma representante na Alerj que não terá medo de trabalhar”, finalizou.

Fotos SanMon

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