O Brasil avança em um projeto industrial que promete ampliar a produção nacional de fertilizantes com menor impacto climático. A empresa Atlas Fertilizantes iniciou a etapa final de engenharia de uma fábrica em Uberaba, Minas Gerais, que utilizará água, ar e eletricidade de fontes renováveis para produzir fertilizantes nitrogenados.
Com investimento estimado em US$ 1,1 bilhão, o empreendimento tem previsão de iniciar as operações comerciais em 2031. A capacidade projetada é de 530 mil toneladas de nitrato de amônio por ano, um insumo utilizado na agricultura.
Tecnologia transforma água em matéria-prima
O diferencial do projeto está na produção de hidrogênio verde. Em vez de utilizar gás natural, como ocorre em processos convencionais da indústria, a fábrica empregará eletricidade de fontes solar e eólica para separar o hidrogênio e o oxigênio presentes na água, por meio da eletrólise.
Depois, o hidrogênio será combinado ao nitrogênio retirado do ar para produzir amônia. Essa substância será utilizada na fabricação do nitrato de amônio.
O fertilizante resultante terá composição química equivalente à do produto convencional, mas com potencial para reduzir as emissões associadas à produção industrial.
Segundo a empresa, a unidade poderá produzir anualmente 42 mil toneladas de hidrogênio verde e 225 mil toneladas de amônia. A estimativa é evitar a emissão de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano.
Fábrica utilizará energia renovável e água do Rio Grande
A instalação terá demanda prevista de 300 megawatts de energia renovável, com fornecimento contratado à empresa Casa dos Ventos.
O projeto prevê captar 800 metros cúbicos de água por hora do Rio Grande, localizado a cerca de dois quilômetros da futura fábrica. Se a captação ocorrer continuamente nesse ritmo, o volume chegará a 19,2 milhões de litros por dia.
De acordo com a Atlas, essa retirada representará menos de 1% da vazão do rio, e a autorização para o uso da água já foi obtida.
Empregos e investimento
A expectativa é gerar cerca de 2 mil empregos durante a construção e manter aproximadamente 540 postos de trabalho na fase de operação, incluindo profissionais terceirizados.
O projeto ainda depende de etapas de engenharia, estruturação financeira e definição final do investimento. A companhia negocia recursos com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e instituições financeiras internacionais.
A empresa também busca ampliar os contratos de compra antecipada da produção. Até o momento, segundo as informações divulgadas, acordos firmados correspondem a 22% da capacidade prevista, enquanto outras negociações estão em andamento.
Produção nacional pode reduzir dependência externa
O empreendimento também busca contribuir para a redução da dependência brasileira de fertilizantes importados. Segundo a empresa, mais de 95% dos fertilizantes nitrogenados consumidos no país vêm do exterior.
A produção nacional pode ajudar a diminuir a exposição do setor agrícola às oscilações cambiais, aos custos de transporte internacional e a eventuais interrupções no fornecimento global.
Apesar do potencial ambiental e econômico, a competitividade do fertilizante dependerá dos custos de energia, do financiamento e da capacidade de oferecer o produto a preços compatíveis com os praticados no mercado.
Se concretizada conforme o planejamento, a fábrica de Uberaba poderá se tornar um empreendimento de grande escala na produção de fertilizantes nitrogenados a partir de hidrogênio verde.





