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Alberta rejeita separação do Canadá e mantém vínculo com o país

Cerca de 76% dos eleitores votaram pela permanência da província canadense; resultado representa derrota para o movimento separatista em meio às tensões com os Estados Unidos

A província de Alberta, no Canadá, rejeitou a proposta de iniciar um processo que poderia levar à sua independência. No referendo realizado na segunda-feira (19), cerca de 76% dos eleitores votaram pela permanência no país, enquanto aproximadamente 24% apoiaram o início dos procedimentos para uma possível separação, segundo resultados preliminares.

A consulta não decidia diretamente a independência de Alberta. Caso a proposta separatista fosse aprovada, o resultado abriria caminho para um processo legal que poderia culminar em uma nova votação, desta vez vinculante, sobre a saída da província da federação canadense.

Resultado fortalece defesa da unidade nacional

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, comemorou o resultado e afirmou que os eleitores fizeram uma escolha clara pela unidade nacional. Para ele, a decisão permite que o país avance em projetos de infraestrutura, amplie suas relações comerciais e fortaleça sua posição no mercado internacional de energia.

A votação ocorreu em um momento de tensão nas relações entre Canadá e Estados Unidos, marcado por tarifas comerciais impostas pelo presidente americano, Donald Trump, e declarações sobre a possibilidade de anexação do território canadense.

Por que Alberta cogitou a independência?

Rica em petróleo e com uma economia fortemente ligada à exploração de combustíveis fósseis, Alberta mantém há décadas divergências com o governo federal, sediado em Ottawa.

Os defensores da separação argumentam que a província contribui de forma desproporcional para as finanças nacionais e que as políticas ambientais e energéticas federais prejudicam sua economia. Também afirmam que os interesses políticos da região são pouco representados no governo central.

O movimento separatista ganhou força nos últimos anos, impulsionado por insatisfações com decisões federais e pela mobilização de grupos conservadores. Alguns líderes chegaram a buscar apoio nos Estados Unidos para a proposta de independência.

Premier defendia permanência no Canadá

A primeira-ministra de Alberta, Danielle Smith, convocou a consulta após pressão de integrantes separatistas de seu próprio partido, o Partido Conservador Unido. Apesar disso, Smith se posicionou contra a independência e afirmou ter votado pela permanência da província no Canadá.

A rejeição à proposta, porém, não significa necessariamente o fim do movimento separatista. Lideranças favoráveis à separação afirmaram que pretendem continuar defendendo a causa e destacaram que uma parcela dos eleitores apoiou a abertura do processo.

Separação exigiria negociações constitucionais

Mesmo que os eleitores tivessem aprovado o início do processo, Alberta não poderia deixar o Canadá unilateralmente. A legislação canadense prevê a necessidade de negociações entre os governos envolvidos e de mudanças constitucionais para viabilizar uma eventual separação.

A votação de Alberta foi a primeira consulta desse tipo na província e reacendeu o debate sobre a unidade territorial do Canadá, que já enfrentou movimentos separatistas em Quebec, região de maioria francófona que rejeitou a independência em referendos realizados em 1980 e 1995.

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