O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou a interlocutores que já conta com votos suficientes para disputar a reeleição ao comando da Casa em fevereiro de 2027. Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil nesta segunda-feira (26), o parlamentar calcula ter o apoio de pelo menos 48 senadores e não pretende dar andamento a pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente Alexandre de Moraes.
A movimentação ocorre após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), resultado que, na avaliação de aliados de Alcolumbre, pode favorecer a articulação política para manter o atual comando do Senado.
PL prepara disputa pelo comando do Senado
Apesar da confiança de Alcolumbre, o Partido Liberal (PL) pretende lançar um candidato para disputar a presidência do Senado. O nome apontado pela legenda é o do senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
O PL deverá ampliar sua representação na Casa e chegar à próxima legislatura com uma das maiores bancadas. A estratégia da oposição é aproveitar esse crescimento para conquistar espaço na direção do Senado e influenciar a pauta legislativa.
Alcolumbre, por sua vez, aposta na articulação com partidos do Centrão, que reúne legendas de diferentes orientações políticas e costuma desempenhar papel decisivo na formação de maiorias parlamentares.
Impeachment de ministros do STF não está nos planos
De acordo com a apuração da CNN Brasil, Alcolumbre afirmou que não pretende colocar em votação pedidos de impeachment contra integrantes do Supremo, incluindo Alexandre de Moraes, com quem mantém uma relação política próxima.
A posição contrasta com a pressão de setores da oposição, que defendem a abertura de processos contra ministros da Corte. O tema ganhou força entre parlamentares ligados à direita e ao bolsonarismo, que cobram uma atuação mais incisiva do Senado diante de decisões do STF.
Cabe ao presidente do Senado decidir sobre o encaminhamento de denúncias por crime de responsabilidade contra ministros da Corte. A abertura de um processo, contudo, exige o cumprimento das regras legais e regimentais aplicáveis.
Articulação envolve Rodrigo Pacheco e indicações para o STF
A reportagem também aponta que Alcolumbre pretende defender a indicação do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco para uma vaga no Supremo Tribunal Federal ainda em 2026.
A movimentação faria parte das negociações políticas entre o comando do Senado e o governo federal. O nome de Pacheco é citado nos bastidores como possível escolha para a Corte, mas uma eventual indicação dependeria de decisão formal do presidente da República e de aprovação do Senado.
As articulações em torno do STF e da presidência do Congresso devem ganhar força nos próximos meses, em meio à reorganização das alianças políticas após as eleições.
Eleição no Senado será em fevereiro de 2027
A escolha do próximo presidente do Senado está prevista para 1º de fevereiro de 2027, quando os parlamentares elegerão a nova Mesa Diretora. O resultado definirá quem terá influência direta sobre a agenda legislativa, a distribuição de cargos e o encaminhamento de matérias de interesse do governo e da oposição.
A disputa também será importante para a relação entre Executivo e Legislativo no quarto mandato de Lula. Mesmo com a reeleição presidencial, o governo terá de negociar com um Congresso em que partidos de centro e de direita mantêm presença expressiva.





