O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, enfrenta um dos principais desafios de sua trajetória política na eleição parlamentar marcada para esta terça-feira (27). Seu principal adversário é Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel e líder do partido centrista Yashar, que se apresenta como uma alternativa ao atual governo.
Com uma carreira de décadas nas Forças Armadas, Eisenkot construiu sua imagem pública como um político de perfil direto, ligado à segurança nacional e crítico da condução do governo após os ataques do Hamas, em 7 de outubro de 2023. A disputa ocorre em um cenário de desgaste político, conflitos regionais e questionamentos sobre a responsabilidade das autoridades israelenses pelas falhas de segurança que antecederam os ataques.
Da carreira militar à oposição
Aos 66 anos, Eisenkot nasceu em uma família de origem judaica marroquina e construiu sua trajetória profissional no Exército israelense. Após décadas de serviço, chegou ao posto de chefe do Estado-Maior, função que exerceu entre 2015 e 2019.
Ele entrou na política em 2022, integrando a aliança Unidade Nacional, liderada por Benny Gantz. Depois dos ataques de outubro de 2023, passou a integrar o gabinete de guerra formado por Netanyahu, mas deixou o governo em junho de 2024, acusando o primeiro-ministro de não apresentar uma estratégia clara para encerrar o conflito em Gaza.
A trajetória pessoal de Eisenkot também foi marcada pela guerra: seu filho, Gal, e dois sobrinhos morreram durante operações militares em Gaza. As perdas familiares contribuíram para aproximá-lo de eleitores que cobram respostas sobre a condução do conflito e as decisões do governo.
Propostas para mudar a condução do governo
À frente do Yashar, partido cujo nome pode ser traduzido como “direto” ou “honesto”, Eisenkot defende uma administração mais profissional, uma investigação estatal sobre as falhas que permitiram os ataques de 7 de outubro e mudanças nas regras do serviço militar obrigatório.
Uma de suas principais propostas é acabar com as isenções amplas concedidas a homens judeus ultraortodoxos, tema que provoca divisões na sociedade israelense. O debate ganhou força diante da necessidade de ampliar o contingente militar após anos de conflitos.
Eisenkot também critica a dependência do governo em relação aos Estados Unidos em decisões estratégicas. Apesar de se apresentar como uma alternativa a Netanyahu, mantém posições rígidas em matéria de segurança e não defende claramente a criação de um Estado palestino independente.
Diferenças de estilo e questionamentos sobre o futuro
A imagem pública de Eisenkot contrasta com a de Netanyahu. Enquanto o atual premiê é conhecido pela longa experiência no poder e pelo controle de sua comunicação política, o ex-general procura se apresentar como alguém menos ligado às disputas tradicionais de partidos e mais concentrado na administração do Estado.
Analistas ouvidos por veículos internacionais apontam, entretanto, que a eventual chegada de Eisenkot ao governo não significaria necessariamente uma mudança profunda na política israelense em relação aos palestinos. Embora critique decisões de Netanyahu, o ex-general mantém posições duras sobre o uso da força militar e apoia assentamentos israelenses na Cisjordânia em determinadas circunstâncias.
A principal diferença entre os dois, segundo parte dos analistas, pode estar na condução do governo, na responsabilização pelas falhas de segurança e no relacionamento com aliados internacionais, mais do que em uma mudança radical de orientação estratégica.
Eleição definirá a composição do Parlamento
Israel adota um sistema parlamentarista. Os eleitores escolhem os partidos que ocuparão as 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento nacional, e a formação do governo depende da construção de uma coalizão capaz de reunir maioria.
Por isso, mesmo que um partido obtenha a maior votação, a definição do próximo primeiro-ministro dependerá das negociações entre as legendas. A eleição é considerada um teste à liderança de Netanyahu, que permanece como uma das figuras mais influentes da política israelense, mas enfrenta críticas relacionadas à segurança, à guerra e a processos judiciais por corrupção, acusações que ele nega.
O resultado também deverá indicar se a oposição conseguirá transformar a insatisfação com o atual governo em uma maioria parlamentar capaz de sustentar uma nova administração.





