A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma série de manifestações de líderes europeus nesta segunda-feira (26). Autoridades destacaram a importância da democracia, do multilateralismo e da continuidade da cooperação entre o Brasil e a Europa.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi uma das primeiras a parabenizar Lula. Em publicação nas redes sociais, afirmou que “a democracia e o multilateralismo venceram no Brasil” e ressaltou que a parceria entre a Europa e o país deverá continuar nos próximos anos.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, também felicitou o brasileiro. Segundo ele, o resultado expressa a vontade da população e abre espaço para aprofundar os vínculos entre as partes, com foco no enfrentamento de desafios internacionais e na construção de um cenário de maior paz e prosperidade.
Relações comerciais e acordo Mercosul-União Europeia
A vitória de Lula também foi recebida com atenção em Bruxelas devido à importância da relação comercial entre a União Europeia e o Mercosul. O governo brasileiro participou das negociações que levaram ao avanço do acordo comercial entre os blocos, considerado estratégico para ampliar o intercâmbio econômico.
Durante a campanha, Flávio Bolsonaro, adversário de Lula no segundo turno, defendeu que o Brasil tivesse maior liberdade para negociar acordos comerciais independentes, inclusive com os Estados Unidos. A posição gerou preocupação entre setores europeus quanto ao futuro das relações com o Mercosul.
Além do comércio, Brasil e União Europeia compartilham agendas relacionadas à proteção ambiental, ao enfrentamento das mudanças climáticas e à defesa de instituições multilaterais. Persistem, porém, divergências em temas internacionais, como a guerra da Rússia contra a Ucrânia.
Macron e Sánchez também se manifestam
O presidente francês, Emmanuel Macron, destacou a parceria estratégica entre Brasil e França e defendeu o fortalecimento da cooperação bilateral diante dos desafios internacionais.
Já o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, classificou a vitória de Lula como uma “grande vitória” e relacionou o resultado brasileiro ao cenário político europeu. Sánchez afirmou que o que aconteceu no Brasil poderá se repetir na Espanha, em referência à disputa entre forças progressistas e conservadoras.
O primeiro-ministro dos Países Baixos, Rob Jetten, e o presidente de Portugal, António José Seguro, também enviaram mensagens de congratulação, ressaltando a importância de manter e ampliar a cooperação com o Brasil.
Resultado contestado pela oposição
A reeleição ocorreu em uma disputa acirrada. Com 99,99% das urnas apuradas, Lula registrava cerca de 51,8% dos votos válidos, contra 48,2% de Flávio Bolsonaro, diferença próxima de 4,4 milhões de votos.
Flávio anunciou que pretende contestar o resultado e questionou a decisão da Justiça Eleitoral de estender o horário de votação em locais onde eleitores enfrentaram dificuldades de transporte e condições climáticas adversas.
As manifestações internacionais destacam a relevância do resultado brasileiro para a diplomacia europeia, especialmente em temas como comércio internacional, meio ambiente e cooperação entre democracias.





