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LONGEVIDADE EM ALTA: QUEM SÃO OS IDOSOS DE HOJE?

Brasil chega a 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2026; no Dia Nacional da Pessoa Idosa, leis da Alerj incentivam uma vida mais ativa e reforçam a proteção dos direitos da pessoa idosa

Chegar aos 60 anos já não significa necessariamente diminuir o ritmo. Eles trabalham, viajam, estudam, praticam atividades físicas, cuidam da família, usam a tecnologia e mantêm uma vida social ativa. Ao mesmo tempo, convivem com desafios próprios do envelhecimento e com a necessidade de políticas públicas que assegurem saúde, autonomia e proteção. No Dia Nacional da Pessoa Idosa, celebrado neste 1º de outubro, uma pergunta ajuda a traduzir as transformações provocadas pela longevidade: afinal, quem são os idosos de hoje?

O Brasil chega a 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2026, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde. E essa população continuará crescendo: a projeção é que alcance 61,5 milhões nas próximas duas décadas. Atualmente, 81,4% das pessoas idosas brasileiras utilizam exclusivamente o Sistema Único de Saúde (SUS), cenário que amplia o desafio de preparar os serviços públicos para uma sociedade cada vez mais longeva.

No Estado do Rio de Janeiro, o envelhecimento populacional também já é uma realidade. O Censo 2022 mostrou que o estado tinha 73,6 pessoas com 65 anos ou mais para cada grupo de 100 crianças de até 14 anos. Em 2010, eram 42,2. Niterói apresentou o maior índice de envelhecimento do estado, com 118,2 idosos para cada 100 crianças, seguida por Miguel Pereira (110,5), Itaocara (107,5), Cambuci (106,1) e Italva (106,1).

Uma nova velhice

Aos 87 anos, Vera Busse da Costa Monteiro, mora sozinha, mantém a rotina de exercícios e valoriza os encontros com a família e os amigos.

“Gosto de me informar para estar sempre atualizada e exercitar meu corpo para fazer o que tanto aprecio. e exercitar meu corpo para fazer o que tanto aprecio: interagir com as pessoas, conversar e estar junto com a família. Sempre fiz atividade física, desde criança. Gosto muito de morar sozinha. Sou uma independente cautelosa para não ficar dependente. Sou dona da minha vida”, conta.

Depois de uma queda na rua, passou a preferir a companhia de uma amiga ou das filhas nos passeios, mas preserva sua autonomia. “Eu não penso na idade como uma limitação. Tenho minha rotina, meus projetos e coisas que ainda quero realizar. É claro que o corpo muda e precisamos cuidar mais da saúde, mas fazer 60 anos não significa deixar de viver, aprender ou fazer planos. “Gosto muito de morar sozinha. Sou uma independente cautelosa para não ficar dependente. Sou dona da minha vida”, afirma.

Aos 69 anos, o aposentado Ricardo Lontra mantém uma rotina de movimento, mas reconhece as mudanças que chegaram com a idade. Aposentado desde os 62, ele faz pilates, pedala uma ou duas vezes por semana e caminha de cinco a sete quilômetros. Em Nova Friburgo, quando o tempo esquenta, a natação também entra na programação.

Leis da Alerj combatem o etarismo

Se o perfil da população mudou, a maneira como a sociedade enxerga a velhice também precisa acompanhar essa transformação. Publicada em setembro, a Lei 11.307/26 criou o Programa Estadual de Combate ao Etarismo, para incentivar ações contra o preconceito e a discriminação por idade. Os municípios que aderirem deverão apresentar planos com medidas em áreas como educação, transporte, moradia, emprego, saúde e participação social.

Outra norma recente, a Lei 11.195/26, estabelece sanções administrativas para práticas discriminatórias contra pessoas idosas. Entre as condutas previstas estão dificultar o acesso a estabelecimentos, criar exigências indevidas relacionadas ao emprego e desrespeitar o atendimento preferencial.

Na promoção da qualidade de vida, a Lei 10.963/25 criou o Programa Idoso Ativo, destinado à oferta de atividades físicas em casas de repouso, clínicas geriátricas e instituições de longa permanência, com acompanhamento profissional e exercícios adaptados. Já a Lei 6.559/2013 instituiu a Política Estadual do Idoso, com diretrizes para assegurar autonomia, dignidade, bem-estar e participação na sociedade.

A proteção também alcança o mercado de trabalho. A Lei 10.355/24 criou o selo “Empresa Parceira da Terceira Idade”, destinado a reconhecer iniciativas empresariais que favoreçam a integração de pessoas idosas, com capacitação e adequação das condições de trabalho.

Movimento é sinônimo de autonomia

Vestir-se, calçar os sapatos ou alcançar um objeto no alto. A recuperação de movimentos cotidianos está entre os principais objetivos dos idosos que procuram a fisioterapeuta Camila Chagas, de 34 anos. Muitas vezes, explica, essas dificuldades vêm acompanhadas de dores.

“Eles querem conseguir se vestir, calçar os sapatos ou alcançar um objeto no alto. São tarefas que parecem simples, mas fazem toda a diferença na qualidade de vida. Com o tratamento, eles percebem a própria evolução, ganham confiança e disposição física para aproveitar a vida. Chegam mais alegres e fazem amigos”, relata.

Camila explica que os exercícios são adaptados às condições de cada pessoa, com ajustes de carga e de posicionamento ou substituição dos movimentos. Segundo o Ministério da Saúde, a atividade física contribui para melhorar a postura e o equilíbrio, reduzir o risco de quedas e preservar a independência durante o envelhecimento.

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