A Polícia Federal deflagrou a 10ª fase da Operação Compliance Zero e ampliou as investigações sobre um suposto esquema de intimidação e campanhas de desinformação ligado ao Banco Master. Um dos principais alvos da operação é o publicitário Thiago Miranda, ex-sócio do comunicador Léo Dias e apontado pelos investigadores como aliado próximo do empresário Daniel Vorcaro.
Segundo relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Miranda teria coordenado uma rede de influenciadores digitais e ações na mídia para promover ataques ao Banco Central, além de atuar em iniciativas para intimidar jornalistas e adversários do grupo investigado.
A investigação aponta que Daniel Vorcaro solicitou a Miranda um levantamento sobre Milton Maluhy, presidente do Itaú Unibanco, alegando que o executivo “estava causando problemas”. A PF afirma que também houve interesse em obter informações sobre Camila Moretti, esposa de Maluhy.
Outro foco da apuração envolve a jornalista Malu Gaspar. De acordo com a Polícia Federal, Miranda teria conduzido buscas sobre a vida pessoal da colunista na tentativa de encontrar informações que comprometessem sua imagem e interrompessem reportagens relacionadas ao Banco Master. Como não foram encontrados elementos desabonadores, os investigadores afirmam que houve tentativa de contratá-la por meio de uma proposta milionária.
Ao autorizar os mandados de busca e apreensão, o ministro André Mendonça destacou que os elementos reunidos indicam a existência de uma organização criminosa com “contornos de máfia”. Na decisão, o ministro afirma que Thiago Miranda desempenhava papel central na coleta de informações sobre jornalistas e na coordenação de equipes dedicadas à busca de dados considerados sensíveis.
A Polícia Federal sustenta que Miranda atuava para proteger o núcleo da organização, manipular a opinião pública e coagir jornalistas, concorrentes e pessoas ligadas ao presidente do Banco Central. O relatório também afirma que recursos oriundos das supostas fraudes financeiras investigadas no Banco Master teriam financiado campanhas de desinformação em veículos de comunicação e nas redes sociais.
Durante a operação, agentes cumpriram mandado de busca na residência de Miranda, no Lago Sul, em Brasília. Foram autorizadas apreensões de celulares, computadores, documentos, dinheiro em espécie e outros equipamentos eletrônicos, além do acesso a e-mails e escritórios vinculados ao investigado.
As investigações também apontam que Miranda teria procurado dois jornalistas para solicitar a retirada de reportagens consideradas prejudiciais aos interesses de Daniel Vorcaro. Segundo a PF, a jornalista Consuelo Dieguez, da revista Piauí, recusou o pedido e orientou que eventuais contestações fossem encaminhadas oficialmente à publicação. Outro jornalista, de um portal de notícias, teria retirado o conteúdo solicitado, conforme registrado no relatório policial.
Em nota ao Correio, a defesa de Thiago Miranda negou qualquer irregularidade. Os advogados afirmaram que o publicitário sempre atuou dentro da legalidade, respeitando as instituições e a liberdade de expressão, e que não praticou atos de intimidação ou violação de direitos.
A defesa também ressaltou que a investigação não representa condenação e que devem ser preservados o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência. Segundo os advogados, Miranda está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com as investigações.





