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Sonhando com a Copa

Caio Canedo celebra primeiro gol pelos Emirados Árabes

Quando trilhava os primeiros passos na base do Volta Redonda, ainda antes de ganhar notoriedade nacional com a camisa do Botafogo, Caio Canedo sonhava – como qualquer jovem jogador – com o dia que vestiria a camisa canarinho e defenderia a seleção brasileira. Mas quis o destino que o país que ele passasse em campo estivesse a milhares de quilômetros: os Emirados Árabes Unidos. O ex-atacante do Alvinegro e do Internacional teve essa sensação pela primeira vez na última Data Fifa, quando estreou pela equipe nacional e conseguiu marcar seu primeiro gol.

Os momentos como jogador emiradense para a carreira do jogador de 30 anos vieram com meses de atraso, adiados duas vezes. Naturalizado desde janeiro, Caio foi convocado pela primeira vez em julho, para um período de treinos com a seleção – mas não pôde se apresentar porque testou positivo para a Covid-19 na época. Meses depois, em agosto, foi chamado de novo e sofreu uma lesão no primeiro treino.

Então, já na terceira convocação, em outubro, conseguiu concretizar os planos e fez sua estreia pela seleção, sendo titular na vitória sobre o Tajiquistão, por 3 a 2, no dia 12 de novembro. Quatro dias depois, fez o que mais gosta: balançou as redes e fez o único gol da equipe na derrota por 3 a 1 para o Bahrein.

– Fiquei muito feliz, porque estou representando um povo que me recebeu tão bem, e espero que seja o primeiro de muitos. É um gesto que eu posso retornar todo o carinho, tudo que recebi de bom aqui – resume Caio.

Os primeiros jogos com a camisa dos Emirados Árabes foram os capítulos mais importantes de uma relação que começou em 2014, quando Caio chegou ao país, após uma passagem pelo Vitória, emprestado pelo Inter. O brasileiro foi jogar no Al-Wasl – time que havia sido comandado por Maradona anos antes – e aos poucos se tornou uma referência no clube, onde permaneceu por cinco temporadas, marcando 106 gols em 167 partidas.

Após se destacar no Al-Wasl, rumou para o Al Ain – o maior campeão do país – na temporada passada, no meio de 2019. Na mesma época, completou cinco anos nos Emirados Árabes e começou a ouvir os rumores de que poderia ser convidado para se naturalizar, junto ao compatriota Fábio Lima e ao argentino Sebastián Tagliabué. E, então, recebeu o convite.

– Eu não vim pensando no passaporte, vim pensando em jogar futebol, ver como era. Foi um sucesso, ano após ano fui renovando. Completei os cinco anos e um dirigente entrou em contato comigo, me perguntou se eu gostaria. Eu disse que com certeza tinha interesse e tenho 100% de certeza que fiz a melhor escolha – lembra Caio.

Caio lembra que os rumores de uma possível naturalização começaram por seus números positivos, mas também pela identificação criada nos clubes onde passou, onde ganhava o carinho dos torcedores – na sua opinião, também pela garra demonstrada em campo. A oportunidade veio em um momento no qual o time precisava de reforços para tentar mudar sua trajetória na busca por uma classificação nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022, no vizinho Catar.

Os Emirados Árabes começaram com campanha irregular, somando seis pontos em quatro jogos. O time é o quarto colocado do grupo G, que tem o Vietnã como líder, com 11 pontos, e a Malásia em segundo, com nove. O primeiro colocado garante vaga na fase final, e o segundo pode entrar se tiver uma das melhores campanhas. Apesar da situação pouco confortável, o sonho segue vivo, principalmente para Caio, que só disputará a competição no ano que vem, após o adiamento dos jogos por conta da pandemia da Covid-19.

– Está todo mundo muito empolgado, tem as eliminatórias e a Copa da Ásia no ano que vem. O pessoal começou mal no grupo (das eliminatórias), mas é um sonho, um projeto com uma seleção com muitos jogadores novos. Chamaram a gente para reforçar e vamos lutar pela vaga – diz.

Caio relata que a vontade de sair do Brasil sempre passou pela cabeça, ainda quando ainda jogava na base do Volta Redonda, embora jamais tivesse imaginado que pudesse defender uma seleção estrangeira. Agora, o sonho que alimenta em sua mente é o das ruas de seu bairro fechadas, em 2022, para acompanhá-lo jogando uma Copa do Mundo.

– Lá em Volta Redonda o apelido é Caio Sheik já (risos). Tenho um time amador lá, de amigos, e aí virou uma febre. É a tropa do Sheik (risos). A galera do meu bairro disse que vai fechar as ruas e vai parar o bairro – projeta.

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