Rio de Janeiro

Porto Maravilha: 16 anos depois da derrubada da Perimetral, o projeto de revitalização já está mudando a rotina dos cariocas

João Arruda

 

A professora Suziane Soares, de 42 anos, encontrou seu ponto de equilíbrio há pouco mais de mês, quando se mudou para o Porto Maravilha. A bela paisagem da Baía de Guanabara pertinho de casa? As obras de arte em exposição nos museus e centros culturais? Tudo isso ajuda. Mas, falando em vida prática, ela ganhou horas em sua rotina diária porque trabalha tanto em Nova Iguaçu quanto em Niterói. E, agora, seu ponto de partida diminuiu a distância sem precisar fazer uma escolha que implicasse sacrifício a mais num trajeto — para ter alívio no outro.

Suzie é uma das mais de dez mil pessoas que compraram unidades no bairro que ganhou novos ares após a demolição do Elevado da Perimetral — e, claro, muito investimentos. Dezesseis anos depois do início do projeto, já dá para dizer que o lugar está completamente diferente.

“Estou me interessando cada vez mais pelo transporte público. Trabalho em Niterói, e o ônibus passa muito perto daqui. Estou pensando em abrir mão do carro. Para Nova Iguaçu posso ir de trem. Já estou usando o VLT e vou utilizar cada vez menos o carro”, conta Suziane, que morava antes em São Gonçalo e se diz satisfeita com os serviços oferecidos a segurança na região.

Os primeiros moradores dos novos empreendimentos do Porto Maravilha chegaram em 2025: este ano, a região finalmente ganha ares de bairro
Os primeiros moradores dos novos empreendimentos do Porto Maravilha chegaram em 2025 e deram outros ares ao bairro – Foto: Severino Silva/TEMPO REAL

 

Mais de 15 mil novas unidades habitacionais

Ao fazer uma análise do projeto ao longo dos anos, o presidente da Câmara dos Vereadores do Rio, Carlo Caiado, (PSD) destaca os benefícios proporcionados pelo Porto Maravilha, principalmente a expansão de unidades habitacionais na região.

“A Câmara do Rio entendeu, desde o início, a importância estratégica do Porto Maravilha para a cidade e também a necessidade de colaborar para o aprimoramento do projeto. Os resultados já são muito concretos. Em 16 anos, a região ganhou mais de 15 mil unidades habitacionais, com cerca de 90% já vendidas, atraindo novos moradores e revitalizando ainda mais uma área histórica do Rio”, avalia Caiado.

O presidente da Câmara afirma que haverá cada vez mais pessoas como Suziane escolhendo a área para morar, mas lembra que a região tem potencial para além dos novos empreendimentos residenciais.

“A expectativa é que o Porto receba 45 mil novos moradores até 2029, com a meta de chegar a 100 mil unidades habitacionais até 2064, abrigando cerca de 250 mil pessoas. O projeto também entregou equipamentos que viraram símbolos da cidade, como o Museu do Amanhã, o Boulevard Olímpico e a roda-gigante Yup Star, além de ampliar a mobilidade com o VLT. Agora, iniciativas como o Porto Maravalley também fortalecem a região como polo de tecnologia, inovação e desenvolvimento econômico, mostrando que o projeto continua avançando”, explica.

Inovação e equipamentos culturais como atrativo

O subsecretário de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura do Rio, Marcel Grillo Balassiano, também chama a atenção para o avanço dos equipamentos culturais e de inovação, como o Porto Maravalley.

“Os avanços foram enormes em vários setores. Já há crescimento de 20% em empresas na área do Porto e 40% no número de trabalhadores. A parte de serviços também está ficando fortalecida, inclusive por causa dos eventos, como por exemplo o Rio Fashion Week, que voltou depois de dez anos”, comemora.

Porto Maravilha: pelo quarto ano consecutivo, foi o bairro da cidade com o maior número de lançamentos imobiliários
O Museu do Amanhã, que fechou 2025 como o equipamento cultural mais visitado da América do Sul, é um dos marcos da região do Porto Maravilha – Foto: Reprodução das redes sociais

O presidente da Associação de Dirigentes do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), Leonardo Mesquita, frisou a importância da segurança na região para alavancar ainda mais o desenvolvimento da área.

“O bairro já nasceu com 80 câmeras instaladas, e a segurança virá cada vez mais pela ocupação. No urbanismo moderno, o adensamento é uma das maiores formas de proteção”, explica.

Caiado acrescenta que a ideia é de melhoria constante no projeto., que considera uma referência para novas iniciativas, como o projeto Praça Onze Maravilha, em tramitação na Câmara e que prevê novas moradias, melhorias no trânsito, a derrubada do Elevado 31 de Março e novos espaços culturais e de lazer integrados ao Sambódromo.

“O projeto reaproveita ideias que deram certo no Porto, como a destinação mínima de 3% dos recursos arrecadados na operação para preservação do patrimônio histórico, mas traz, por exemplo, um modelo diferente de captação de recursos, com investimentos feitos de forma gradual conforme o avanço do projeto e a valorização da região”, afirmou o presidente da Câmara de Vereadores.

Infraestrutura que começa em detalhes como a fiação elétrica

Leonardo Mesquita avalia que um dos diferenciais da região é a capacidade para receber pessoas já com serviços e infraestrutura instalados. Segundo o presidente da Ademi-RJ poucos bairros do Rio de Janeiro têm a fiação enterrada, como ocorre no Porto Maravilha.

“Isso causa uma melhoria urbana, uma qualidade que a gente enxerga em poucos lugares do Rio. A localização é insuperável. Perto do Centro, do aeroporto, da rodoviária. O transporte é uma coisa que você vê em em poucos lugares do Brasil. Grandes cidades brasileiras talvez não tenham um lugar tão propício a receber pessoas quanto a região do Porto”, disse.

Mesquita, que também é CEO da Cury Construtora, a empresa que mais apostou na região, afirma que o Porto Maravilha ainda oferece muito potencial de expansão.

“Hoje temos 16 mil unidades lançadas apenas pela Cury, volume de vendas na casa de 90%. Mais de duas mil unidades entregues. Quem vai hoje ao Porto Maravilha não reconhece o que vê, comparando com o que era antes”, finaliza.

 

 

Fonte https://temporealrj.com/porto-maravilha-16-anos-projetos/

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