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Mensagens sugerem encontros entre Moraes e Vorcaro às vésperas da prisão do banqueiro

Registros encontrados no celular de Daniel Vorcaro indicam reuniões com ministro do STF nos dias 14 e 16 de novembro de 2025; mensagens também apontam contrato de R$ 131 milhões entre Banco Master e escritório ligado à família de Moraes

SÃO PAULO E BRASÍLIA — Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, indicam que o banqueiro se encontrou com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nos dias 14 e 16 de novembro de 2025, pouco antes de ser preso pela Polícia Federal.

Os registros fazem parte das investigações relacionadas à Operação Compliance Zero e mostram que, ao longo de cerca de 20 dias, Vorcaro teria enviado pelo menos 15 mensagens sugerindo ou combinando encontros com o ministro.

O último encontro mencionado nas mensagens teria ocorrido em 16 de novembro, um dia antes da prisão do banqueiro. Na ocasião, Vorcaro escreveu a Moraes que já estava em um voo e que seguiria diretamente para o encontro após pousar em Brasília.

No dia seguinte, 17 de novembro, Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Segundo os investigadores, ele estava prestes a embarcar em um jatinho particular com destino aos Emirados Árabes Unidos. Na época, o banqueiro afirmou que viajaria para tratar da venda do Banco Master a investidores.

O Estadão informou ter procurado Alexandre de Moraes e a defesa de Daniel Vorcaro para obter esclarecimentos. O espaço permanece aberto para manifestações.

Mensagens mostram sequência de convites

As conversas indicam que os contatos entre Vorcaro e Moraes eram frequentes. Em 28 de outubro, o banqueiro informou que estaria em Brasília e perguntou se poderia passar na residência do ministro para uma conversa rápida.

Dois dias depois, em 30 de outubro, voltou a sondar a possibilidade de um encontro e perguntou se Moraes estaria no Brasil na semana seguinte.

A partir de 10 de novembro, uma semana antes da prisão, os convites teriam se intensificado. Vorcaro perguntou se poderia encontrar o ministro em Brasília e repetiu a tentativa no dia seguinte.

Em 12 de novembro, após novas mensagens, o banqueiro afirmou que não queria atrapalhar a programação familiar do ministro e sugeriu deixar a conversa para outra data.

Ainda naquele dia, Vorcaro explicou que iria a Brasília especialmente para encontrar Moraes e “atualizar” o ministro sobre os acontecimentos. Os dois teriam combinado uma reunião para 14 de novembro.

Encontro ocorreu três dias antes da prisão

Em 14 de novembro, Vorcaro confirmou o compromisso e informou que chegaria por volta das 14h30. Após a reunião, o banqueiro enviou uma mensagem de agradecimento ao ministro, na qual afirmou ter uma “dívida de vida” com Moraes e seus familiares.

Segundo os registros, Vorcaro escreveu que ele, sua família, funcionários e parceiros tinham uma dívida de gratidão com o ministro e sua família.

As mensagens analisadas pelos investigadores também apontam para pedidos relacionados às investigações envolvendo o Banco Master. Conforme informações divulgadas pelo Estadão, Vorcaro teria solicitado a Moraes que interviesse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para interromper ou conter as apurações sobre possíveis irregularidades nos negócios do banco.

Novo encontro na véspera da prisão

Mesmo após a reunião de 14 de novembro, Vorcaro teria procurado novamente o ministro. No dia 15, perguntou se poderiam se encontrar rapidamente no dia seguinte.

Pouco depois, os dois teriam acertado o horário para as 14h de 16 de novembro. Vorcaro perguntou ainda se deveria ir à casa de Moraes ou se o ministro preferia encontrá-lo em sua residência.

No dia seguinte, às 13h40, o banqueiro informou que já estava no avião e que pousaria às 14h20, seguindo diretamente para o encontro.

Menos de 24 horas depois, ele seria preso pela Polícia Federal.

Contrato de R$ 131 milhões

Os registros também ganham relevância diante de outro episódio envolvendo a família do ministro. O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, firmou um contrato de R$ 131 milhões com o Banco Master.

Os filhos do ministro, Giuliana e Alexandre, também atuam como advogados no escritório.

O contrato e os encontros entre Moraes e Vorcaro são mencionados em meio às investigações que apuram negócios e possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master.

As mensagens entre o banqueiro e o ministro eram enviadas por meio de um sistema de visualização única, com capturas de tela de textos redigidos no aplicativo de notas do celular. Dessa forma, segundo as informações divulgadas, os investigadores conseguiram recuperar apenas as mensagens enviadas por Vorcaro.

As circunstâncias dos encontros e o conteúdo das conversas são objeto de apuração. Até o momento, as mensagens, por si só, não comprovam eventual irregularidade ou crime por parte do ministro.

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