Tragédia em São João da Boa Vista
O juiz Gustavo de Castro Campos foi encontrado morto em um carro em chamas, em 7 de outubro de 2026, em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo. Essa morte repentina e trágica chocou amigos e colegas advogados que o descrevem como um profissional cordial, educado e imparcial. Castro Campos, que atuava principalmente em processos criminais na Comarca de Mococa, dedicou sua carreira ao serviço da justiça na região.
O magistrado morava com sua família em São João da Boa Vista e viajava frequentemente a Mococa para realizar suas audiências, muitas vezes utilizando recursos tecnológicos para realização de sessões remotas. O advogado criminalista Rogério Mega, que teve uma audiência com o juiz na mesma tarde em que foi encontrado morto, expressou seu desespero diante da situação.
“Esse caso precisa ser muito bem investigado, pois seria uma afronta à justiça. Ele sempre cumpriu seu dever”, comentou Mega ao Estadão, pedindo por uma apuração rigorosa. O advogado elogiou a postura do juiz, ressaltando seu caráter e a perda significativa que sua morte representa para a comunidade jurídica.
A repercussão entre colegas
A advogada criminalista Janaina Rotta também lamentou publicamente a partida do colega. Em suas palavras, Rotta destacou a experiência de Gustavo como advogado antes de ingressar na magistratura, um fator que, segundo ela, o fez compreender melhor a realidade da advocacia.
“Dr. Gustavo não exercia autoridade pela dureza, mas pelo equilíbrio e pela humanidade. Ele entendia que por trás de cada processo existiam pessoas e histórias reais que não se resumiam a documentos”, escreveu Rotta em uma rede social. Essas palavras refletem uma forte admiração pela abordagem humanizada que Gustavo levava ao seu ofício.
Investigação em andamento
Em nota oficial, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) lamentou a perda do magistrado, se solidarizando com a família e amigos. A nota destaca a dedicação de Castro Campos, que acumulou 85 mil menções em buscas jurídicas, sublinhando seu impacto significativo no sistema judiciário.
As circunstâncias da morte do juiz estão sendo investigadas pela Polícia Civil, que não descarta qualquer hipótese neste início de apuração. O corpo foi encontrado carbonizado dentro do veículo, que estava em chamas em uma área rural da fazenda, e foi descoberto por trabalhadores rurais.
Quem era Gustavo de Castro Campos?
Nascido em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, Gustavo de Castro Campos graduou-se em Direito pelo Centro Universitário Braz Cubas. Ele exerceu a advocacia por uma década antes de entrar na magistratura, sendo aprovado em um concurso para delegado da Polícia Civil do Espírito Santo em 2014. Logo em seguida, tomaria posse como juiz substituto no Tribunal de Justiça do Espírito Santo.
Em sua trajetória na magistratura paulista, começou na 14ª Circunscrição Judiciária, em Barretos, e atuou em diversas comarcas até se tornar titular da 2ª Vara da Comarca de Mococa. Durante a pandemia de Covid-19, ele promoveu iniciativas para manter a população informada sobre a continuidade dos trabalhos do Judiciário, demostrando seu compromisso e dedicação ao serviço público.
Tais características, somadas à sua formação e experiência, fizeram dele um magistrado querido entre seus pares e a comunidade que atendia, intensificando a consternação pela sua trágica e prematura morte.





