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Estudante de 17 anos cria plataforma para mapear contaminação por isopor no Lago Paranoá

Tom Silva Nunes desenvolveu equipamento com impressão 3D e inteligência artificial para identificar partículas do material; site colaborativo permite que moradores contribuam com registros e ajudem no monitoramento ambiental

Um estudante de 17 anos desenvolveu uma plataforma colaborativa para mapear a presença de isopor nas águas do Lago Paranoá, em Brasília. O projeto, criado por Tom Silva Nunes, busca reunir informações sobre a distribuição dos resíduos e mobilizar a população para contribuir com a preservação ambiental.

Disponível desde 16 de outubro, o site Isopor no Paranoá permite que qualquer pessoa registre a presença do material em diferentes áreas do lago. As informações são reunidas em um mapa público, que ajuda a visualizar os pontos identificados pelos participantes.

Tecnologia combina impressão 3D e inteligência artificial

A iniciativa começou com a construção de um protótipo produzido em impressora 3D. O equipamento utiliza lentes e luzes de LED para observar amostras de água tratadas com rodamina B, substância que auxilia na visualização de possíveis micropartículas de isopor por meio de fluorescência.

As imagens captadas são analisadas por um sistema de inteligência artificial treinado com imagens de partículas previamente identificadas. A ferramenta classifica os materiais encontrados como possíveis partículas de isopor ou de outros tipos e estima o tamanho dos fragmentos identificados.

Durante testes com amostras coletadas no Lago Paranoá, o sistema detectou partículas classificadas como isopor. Os resultados motivaram o estudante a ampliar o levantamento por meio da participação da comunidade.

A identificação automatizada, no entanto, representa uma etapa do monitoramento e não substitui análises laboratoriais necessárias para confirmar a composição dos materiais.

Moradores podem ajudar no mapeamento

A plataforma permite informar a região em que o resíduo foi encontrado, indicar seu tamanho, diferenciar pedaços maiores de micropartículas e enviar fotografias para complementar os registros.

Não é necessário ter acesso ao equipamento desenvolvido pelo estudante para participar. Pessoas que encontrarem fragmentos de isopor nas margens ou em outras áreas do lago também podem contribuir com observações.

Para organizar os dados, o projeto divide o Lago Paranoá em nove regiões. Até a divulgação da reportagem, cinco delas já contavam com os primeiros registros.

Projeto alerta para impactos ambientais

O isopor, produzido a partir de poliestireno expandido, pode se fragmentar com o tempo e formar partículas menores, que se dispersam no ambiente e dificultam o monitoramento da poluição.

Ao reunir informações enviadas por diferentes pessoas, a iniciativa pretende ampliar a percepção sobre a presença desses resíduos e incentivar ações de preservação.

O projeto aposta na chamada ciência cidadã, modelo em que a população participa da coleta de dados que podem contribuir para pesquisas e levantamentos ambientais.

Além de desenvolver uma ferramenta tecnológica, Tom Silva Nunes busca aproximar os moradores da conservação do Lago Paranoá, um dos espaços de lazer e convivência mais conhecidos da capital federal.

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