Candidata a deputada federal e, ao mesmo tempo, postulante à Prefeitura de Itaguaí em eleição suplementar, Kelaine Goulart levanta questionamentos sobre qual mandato pretende, de fato, conquistar
O cenário eleitoral envolvendo Kelaine Goulart chama atenção por uma situação, no mínimo, incomum. Enquanto pede votos para chegar à Câmara dos Deputados como candidata a deputada federal pelo Novo, número 3080, seu nome também aparece como postulante à Prefeitura de Itaguaí na eleição suplementar marcada para outubro.
E a pergunta que naturalmente surge para o eleitor é simples: afinal, qual cargo é prioridade?
A política exige transparência, principalmente quando o cidadão precisa decidir a quem entregar seu voto. Quem se apresenta para representar o Rio de Janeiro em Brasília precisa demonstrar disposição para cumprir esse compromisso. Da mesma forma, quem pretende administrar Itaguaí assume diante da população uma responsabilidade completamente diferente.
A situação ganha ainda mais repercussão diante das informações divulgadas pelo jornalista Elizeu Pires. Segundo publicação baseada em dados do DivulgaCand, Kelaine já teria recebido R$ 110 mil em doações para sua campanha a deputada federal, sendo R$ 80 mil provenientes da direção nacional do Novo e outros R$ 30 mil em doações de pessoas físicas.
Também segundo a publicação, já teriam sido registrados R$ 24.630 em gastos com material de campanha e R$ 3 mil destinados ao Facebook.
Não se trata de questionar o direito de qualquer pessoa disputar eleições dentro do que estabelece a legislação. A questão é política e precisa ser respondida ao eleitor: se Kelaine quer ser prefeita de Itaguaí, por que mantém uma campanha para deputada federal? E, se seu projeto é chegar a Brasília, por que também busca comandar a Prefeitura?
Em tempos em que a população cobra cada vez mais coerência dos candidatos, apresentar dois projetos eleitorais praticamente simultâneos pode gerar dúvidas sobre planejamento, compromisso e prioridade.
Kelaine construiu sua comunicação destacando proximidade com a população e disposição para percorrer as ruas. Agora, diante desse cenário, talvez seja necessário apresentar outra coisa igualmente importante: clareza sobre onde pretende estar depois das urnas.
O eleitor de Itaguaí e o eleitor fluminense merecem saber qual projeto político está realmente em primeiro lugar.





