A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira, uma nova fase da Operação Disco de Ouro, que investiga um suposto esquema de extração e comercialização ilegal de cassiterita na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão está o cantor Alexandre Pires.
Segundo a PF, o artista é investigado por uma possível participação em uma organização criminosa que teria movimentado recursos provenientes do garimpo ilegal. As apurações também levantam suspeitas de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
A defesa de Alexandre Pires nega qualquer envolvimento do cantor em atividades de garimpo ou extração de minério.
Mandados e bloqueio de bens
Por determinação da Justiça Federal, os agentes cumprem 12 mandados de busca e apreensão e 17 medidas de sequestro de bens e valores. Nesta etapa da operação, não foram expedidos mandados de prisão.
Também são alvos da ação os empresários Diego Possebon e Matheus Possebon, este último ligado profissionalmente a Alexandre Pires, além de Carlos Eduardo Konrath, presidente do Conselho de Administração da Opus Entretenimento, em Porto Alegre.
De acordo com as investigações, Alexandre Pires teria recebido mais de R$ 4 milhões. Uma planilha analisada pela PF aponta ainda que a empresa A.P.N. Serviços Ltda., pertencente ao cantor, teria recebido inicialmente R$ 2,53 milhões.
Suspeita de esquema com cassiterita
As investigações apontam para a existência de um esquema destinado a retirar ilegalmente cassiterita da Terra Indígena Yanomami.
Segundo a PF, o minério, que possui valor no mercado internacional, seria declarado oficialmente como proveniente de um garimpo regular localizado na região do Rio Tapajós, em Itaituba, no Pará. Na documentação, o material seria posteriormente transportado para Roraima para tratamento.
A suspeita dos investigadores é de que essa movimentação ocorreria apenas formalmente. Na prática, a cassiterita teria sido extraída diretamente de áreas de garimpo ilegal em Roraima.

Operação começou em 2022
A Operação Disco de Ouro é um desdobramento de uma ação deflagrada pela Polícia Federal em janeiro de 2022. Na ocasião, os agentes apreenderam cerca de 30 toneladas de cassiterita que teriam sido extraídas de uma terra indígena e estavam armazenadas na sede de uma empresa investigada, onde seriam preparadas para envio ao exterior.
Na primeira fase, foram cumpridos dois mandados de prisão e seis de busca e apreensão, expedidos pela 4ª Vara Federal da Seção Judiciária de Roraima. As ações ocorreram em Boa Vista e Mucajaí, em Roraima, além de São Paulo, Santos, Santarém, Uberlândia e Itapema.
Defesa de Alexandre Pires nega envolvimento
Em nota divulgada nesta quarta-feira, o advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, que representa Alexandre Pires, afirmou que o cantor não possui qualquer relação com garimpo ou extração de minério.
Segundo a defesa, Pires foi “tomado de surpresa” pela nova fase da operação e teve o nome “indevidamente envolvido” nas investigações.
O advogado também destacou a carreira artística do cantor e afirmou que ele “jamais cometeu qualquer ilícito”, acrescentando que essa posição estaria sendo demonstrada no decorrer das investigações.
Defesa de empresário também contesta investigação
A defesa de Matheus Possebon afirmou ter recebido com surpresa a nova etapa da operação e disse que ainda não teve acesso à decisão judicial que fundamentou as medidas.
O advogado Fábio Tofic declarou que os fatos investigados são antigos e se referem aos anos de 2022 e 2023. Segundo ele, Possebon sempre esteve à disposição das autoridades e atua nos setores de música e entretenimento, sem trabalhar com comércio ou exportação de minérios.
A defesa também citou uma decisão de 2023 do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que revogou a prisão de Possebon por considerar insuficientes, naquele momento, os elementos apresentados contra ele.
Já Carlos Konrath se manifestou por meio de uma nota divulgada pela Opus Entretenimento. O comunicado confirmou que o presidente do Conselho de Administração da empresa foi alvo de um mandado de busca e apreensão em um endereço particular.





