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Empresário confirma à PF que Vorcaro pagou viagens de luxo do senador Ciro Nogueira

Depoimento de Leonardo Serrano, dono de uma agência de turismo de alto padrão, detalha cinco viagens internacionais e eventos custeados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Investigação apura possível pagamento de vantagens indevidas ao parlamentar.

O empresário Leonardo Serrano afirmou à Polícia Federal que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, pagou viagens, hospedagens e eventos de luxo frequentados pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI). O depoimento foi prestado no âmbito da Operação Compliance Zero e detalha serviços contratados para o parlamentar em diferentes destinos internacionais.

Dono da agência Signature Luxury Services, Serrano relatou ter realizado aproximadamente 200 atendimentos para Vorcaro desde 2017. Segundo o empresário, a relação comercial envolvia a organização de viagens particulares, hospedagens e eventos para o banqueiro, familiares, amigos e convidados.

O depoimento descreve cinco viagens relacionadas a Ciro Nogueira, incluindo passagens por Paris, Nova York, Lisboa, Courchevel, nos Alpes franceses, e Londres.

Jantar em Paris e festas milionárias em Nova York

Um dos episódios ocorreu em abril de 2024, quando Vorcaro solicitou à agência a organização de um jantar no restaurante Gigi, em Paris, para Ciro Nogueira e outros quatro convidados. Segundo Serrano, o banqueiro orientou que a reserva fosse colocada em nome do senador e que os participantes não pagassem a conta. A despesa foi posteriormente faturada para Vorcaro, que não participou do encontro.

No mês seguinte, em Nova York, Vorcaro teria custeado a hospedagem de Ciro na suíte Royal do hotel Park Hyatt. O empresário também relatou a organização de festas privadas na cidade, com locação de espaços, apresentações de bandas de jazz e consumo de bebidas e charutos. Os eventos reunidos em uma única fatura chegaram a US$ 1,2 milhão.

Hospedagem de aproximadamente R$ 90 mil em Lisboa

Em junho de 2024, durante a realização do Fórum Jurídico de Lisboa, Vorcaro solicitou reservas de hospedagem para Ciro Nogueira e outras autoridades.

Serrano confirmou à PF que a estadia do senador em uma suíte júnior, por cinco noites, custou aproximadamente R$ 90 mil. Segundo o empresário, o valor foi repassado a Vorcaro, que efetuou o pagamento integral da fatura.

O depoimento também menciona uma possível reserva para o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Serrano, porém, afirmou não conseguir confirmar se a hospedagem chegou a ser efetivada.

Serviços de luxo nos Alpes franceses

Outro episódio ocorreu em janeiro de 2025, na estação de esqui de Courchevel, na França. De acordo com o relato, Vorcaro solicitou serviços para Ciro Nogueira, incluindo aluguel de equipamentos e roupas para a prática de esqui.

O empresário explicou que recebeu informações sobre altura, peso, numeração do calçado e tamanho do capacete do senador para providenciar os equipamentos adequados.

A investigação da Polícia Federal também identificou despesas com hospedagem, restaurantes, instrutores e outros serviços durante a estadia nos Alpes franceses.

PF investiga possível pagamento de vantagens indevidas

O depoimento de Serrano integra a investigação que apura se Ciro Nogueira recebeu benefícios de Daniel Vorcaro em troca de atuação parlamentar favorável aos interesses do empresário.

A Polícia Federal suspeita que as vantagens não se limitaram ao pagamento de viagens e hospedagens. A apuração também investiga possíveis repasses financeiros periódicos e o uso de um imóvel ligado ao ex-banqueiro.

Ciro Nogueira foi alvo de mandados de busca e apreensão em maio, no âmbito da Operação Compliance Zero. Na ocasião, sua defesa afirmou repudiar qualquer suspeita de irregularidade relacionada à conduta do senador e à sua atuação parlamentar.

Procurados para comentar o conteúdo do depoimento, o senador e a defesa de Daniel Vorcaro não haviam se manifestado até a publicação das reportagens. Vorcaro está preso desde março.

As informações fazem parte de uma investigação em andamento e não representam, por si só, uma condenação dos envolvidos.

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