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Brasil rebaixa relações diplomáticas com a Argentina após ataques de Milei a Lula

Embaixador brasileiro permanecerá em Brasília até que a crise entre os dois países seja resolvida

O governo brasileiro decidiu rebaixar o nível das relações diplomáticas com a Argentina em meio ao agravamento da crise entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Javier Milei. A informação foi confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) nesta quarta-feira (5).

Como parte da medida, o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, permanecerá em Brasília e não retornará ao posto enquanto persistirem os ataques do presidente argentino contra Lula e outras autoridades brasileiras.

O comunicado oficial sobre o rebaixamento das relações foi entregue ao embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi. Segundo diplomatas, a decisão não representa uma expulsão formal do representante argentino, mas sinaliza o desgaste nas relações entre os dois países.

A crise se intensificou após Javier Milei participar de um evento político em São Paulo, na semana passada, em apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Durante o discurso, o presidente argentino fez duras críticas ao presidente brasileiro, chamando Lula de “ladrão”, “corrupto”, “presidiário” e “lixo socialista”.

Em resposta, o Itamaraty convocou Daniel Raimondi para manifestar oficialmente o descontentamento do governo brasileiro e chamou o embaixador Julio Bitelli para consultas em Brasília.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores classificou o episódio como “sem precedentes”. O chanceler Mauro Vieira afirmou que o Brasil considera o caso grave, mas descartou, por enquanto, medidas mais severas, como a retirada definitiva de representantes diplomáticos.

Inicialmente, Lula evitou comentar as declarações de Milei. Dias depois, porém, endureceu o tom e classificou como uma “patacoada” a participação do presidente argentino no evento do Partido Liberal.

Durante um ato do PSB, o presidente brasileiro afirmou que manterá uma postura institucional nas relações entre os dois países.

“Eu gosto do povo argentino e não vou ficar trocando ofensas. O cara faz cara feia, eu faço cara bonita. O cara demonstra ódio, eu demonstro amor”, declarou Lula.

Escalada da tensão

Os atritos entre Lula e Milei vêm se intensificando desde a campanha presidencial argentina, em 2023, quando o então candidato chamou o presidente brasileiro de “comunista” e “corrupto”.

Nas últimas semanas, Milei voltou a fazer ataques públicos ao governo brasileiro. Em entrevista concedida no início de agosto, voltou a chamar Lula de “ladrão” e “corrupto”, questionou decisões do Judiciário brasileiro e afirmou que suas declarações eram “palavras espontâneas”.

O presidente argentino também acusou, sem apresentar provas, o governo brasileiro de ter financiado uma suposta campanha contra a Argentina durante a Copa do Mundo e voltou a criticar a atuação de Lula nas eleições argentinas de 2023.

Apesar da crise política, equipes técnicas dos dois países seguem mantendo interlocução em temas comerciais e regionais, especialmente nas discussões relacionadas ao Mercosul.

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