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Alcolumbre avalia acordo político que inclui discussão sobre indulto a Bolsonaro

Presidente do Senado busca apoio para se reeleger em 2027 e tenta reduzir pressão por impeachment de ministros do STF; negociação ainda não foi fechada

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), avalia negociar um acordo político que envolva a discussão de um possível indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a redução da pressão por processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A movimentação ocorre em meio às articulações para a eleição que definirá o comando do Senado em fevereiro de 2027.

Segundo informações publicadas pela jornalista Andréia Sadi, no g1, Alcolumbre considera que uma aproximação com o grupo bolsonarista poderia ampliar seu apoio para continuar à frente da Casa. Em contrapartida, a negociação envolveria temas prioritários para a oposição, como a situação judicial de Bolsonaro e as iniciativas contra integrantes do Supremo.

Disputa pela presidência do Senado

A possível articulação ocorre enquanto Alcolumbre busca consolidar apoio de diferentes partidos para sua recondução ao cargo. Entre os nomes citados como possíveis adversários na disputa estão o senador Rogério Marinho (PL-RN) e a senadora Tereza Cristina (PP-MS).

Uma aproximação com parlamentares bolsonaristas poderia reduzir a resistência de parte da oposição à permanência de Alcolumbre no comando do Senado. O cenário, porém, ainda depende de negociações políticas e não há confirmação de um acordo fechado.

Nos bastidores, a justificativa apresentada para a iniciativa seria a necessidade de promover a pacificação institucional e diminuir os conflitos entre Congresso, governo federal e Judiciário.

Indulto e anistia são medidas diferentes

O debate envolve duas possibilidades jurídicas distintas. O indulto é concedido pelo presidente da República e pode extinguir a pena de pessoas que atendam aos critérios estabelecidos no decreto presidencial. Já a anistia depende de aprovação de uma lei pelo Congresso Nacional e tem alcance definido pelo texto aprovado.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa, interlocutores de Alcolumbre consideram discutir alternativas caso não haja apoio do Executivo a um eventual indulto. Uma possibilidade seria retomar o debate sobre anistia ou revisão das penas relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023.

Até o momento, não há proposta formal apresentada nem definição sobre quais pessoas poderiam ser beneficiadas.

Resistência a uma possível negociação

A hipótese de vincular a discussão de um perdão judicial à disputa pela presidência do Senado também enfrenta resistência. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) declarou que não apoiaria um acordo que envolvesse a troca de apoio político por anistia ou indulto a Bolsonaro.

O senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), também afirmou que não existe proposta formal de anistia em discussão na comissão. Segundo ele, conversas com Alcolumbre abordaram a possibilidade de reduzir tensões políticas e discutir a revisão de penas, sem um compromisso definido de conceder perdão ao ex-presidente.

Negociação ainda está em fase inicial

A eventual articulação reúne interesses distintos: a tentativa de Alcolumbre de garantir apoio para permanecer na presidência do Senado, a demanda de setores bolsonaristas por uma solução para a situação judicial do ex-presidente e a pressão política contra ministros do STF.

Apesar das conversas relatadas por interlocutores, não há confirmação de acordo entre Alcolumbre, o governo Lula e a oposição. Também não foi anunciada uma proposta legislativa ou uma iniciativa oficial para conceder indulto a Bolsonaro.

O desfecho dependerá das negociações entre os grupos políticos e, caso alguma medida seja formalizada, dos procedimentos constitucionais e legais aplicáveis.

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