O Bàbálórìṣà Célio D’Omolu, conhecido nacionalmente como Pai Celinho, fundador e dirigente do Ilê Asé Obaluayê Jagun, foi homenageado com o Troféu Agbedé Ogun Asé, na categoria “Personalidade Potente”, uma das principais honrarias concedidas pelo Conselho Estadual dos Direitos do Negro e Promoção da Igualdade Racial (CEDINEPIR) a personalidades que se destacam na valorização da cultura afro-brasileira, da ancestralidade e na promoção da igualdade racial.
A homenagem celebra uma trajetória marcada pela fé, pela resistência e pelo compromisso com a preservação das tradições dos povos de terreiro. Ao longo de décadas, Pai Celinho tornou-se uma das principais referências do candomblé no Estado do Rio de Janeiro, dedicando sua vida ao fortalecimento das religiões de matriz africana, ao acolhimento de milhares de pessoas e à defesa da liberdade religiosa.
Em publicação nas redes sociais, o sacerdote agradeceu emocionado ao presidente do CEDINEPIR, Negro Gun, pela homenagem recebida. Para Pai Celinho, o troféu representa não apenas um reconhecimento pessoal, mas também uma conquista compartilhada com todos aqueles que caminham ao seu lado na missão de preservar os ensinamentos dos orixás e combater o preconceito religioso.
Fundado em 13 de maio de 1978, na cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o Ilê Asé Obaluayê Jagun se consolidou como uma das mais respeitadas casas tradicionais de candomblé do estado. Prestes a completar cinco décadas de história, o terreiro tornou-se um importante espaço de preservação da cultura afro-brasileira, da ancestralidade e dos valores transmitidos pelos povos de origem africana.
Durante esses anos, o Ilê Asé Obaluayê Jagun ultrapassou os limites da prática religiosa. A instituição desenvolve ações voltadas ao fortalecimento da identidade negra, incentiva o respeito à diversidade religiosa e participa de iniciativas sociais que beneficiam famílias em situação de vulnerabilidade, reafirmando o papel dos terreiros como espaços de acolhimento, solidariedade e construção da cidadania.

Pai Celinho também se tornou uma voz importante na luta contra o racismo religioso e pela garantia dos direitos das comunidades tradicionais de terreiro. Sua atuação é reconhecida por diferentes segmentos da sociedade, sendo frequentemente convidado para eventos, palestras, encontros culturais e debates sobre diversidade, direitos humanos e liberdade de crença.
Além da forte atuação religiosa e social, o sacerdote conquistou grande alcance nas plataformas digitais. O perfil oficial do Ilê Asé Obaluayê Jagun reúne atualmente mais de 98 mil seguidores, onde são compartilhados conteúdos sobre espiritualidade, cultura afro-brasileira, projetos sociais, eventos religiosos, homenagens e ações desenvolvidas pela casa, aproximando milhares de pessoas da riqueza das tradições de matriz africana.
O Troféu Agbedé Ogun Asé simboliza o reconhecimento de lideranças que, por meio de sua atuação, contribuem para o fortalecimento da identidade negra, da cultura afro-brasileira e da promoção da igualdade racial. A categoria “Personalidade Potente” destaca homens e mulheres cuja trajetória inspira novas gerações e fortalece a luta por uma sociedade mais justa, plural e respeitosa.
A homenagem repercutiu entre filhos de santo, lideranças religiosas, autoridades e admiradores, que utilizaram as redes sociais para parabenizar Pai Celinho pela conquista. As mensagens ressaltaram não apenas o prêmio recebido, mas principalmente o legado construído ao longo de quase cinquenta anos de dedicação ao candomblé, à ancestralidade e ao serviço prestado à comunidade.
Mais do que uma honraria individual, o reconhecimento recebido por Pai Celinho representa uma vitória para as religiões de matriz africana e para todos aqueles que trabalham diariamente pela valorização da cultura negra e pela preservação de suas tradições. Em um momento em que o combate à intolerância religiosa e ao racismo continua sendo um desafio, homenagens como essa reafirmam a importância de lideranças comprometidas com a promoção da paz, do respeito às diferenças e da construção de uma sociedade baseada na igualdade, na liberdade religiosa e na valorização da ancestralidade.





