Rio de Janeiro

Nova subida da Serra de Petrópolis terá novos túneis e menos curvas; viagem poderá ficar mais rápida

Projeto de modernização da BR-040 prevê investimento de cerca de R$ 2 bilhões, pistas com três faixas e redução estimada de 17 minutos no percurso de ida e volta pela serra

A subida da Serra de Petrópolis, na BR-040, deverá passar por uma ampla transformação, com a construção de novos túneis, redução de curvas perigosas e melhorias na segurança viária. A previsão é que as obras sejam retomadas em 2027, com conclusão prevista para 2030, em um projeto estimado em aproximadamente R$ 2 bilhões.

A intervenção busca melhorar a ligação entre a Região Metropolitana do Rio de Janeiro e a Região Serrana, além de facilitar o deslocamento de motoristas que seguem em direção a Juiz de Fora, em Minas Gerais.

Atualmente, o trecho de serra tem cerca de 22 quilômetros e reúne curvas acentuadas, pistas estreitas e pontos sem acostamento. Essas características, somadas ao tráfego intenso de caminhões e carretas, contribuem para acidentes e congestionamentos.

Dois túneis e pistas com três faixas

O projeto apresentado pela concessionária Elovias prevê a construção de dois túneis rodoviários, com aproximadamente 4,5 quilômetros de extensão cada e três faixas de circulação. As estruturas serão destinadas aos sentidos de subida e descida da serra.

A proposta também inclui a correção do traçado da rodovia, com menos curvas e maior fluidez para os veículos. A pista atual de subida deverá deixar de ser utilizada pelo tráfego de longa distância em direção a Minas Gerais e poderá funcionar como acesso local a Petrópolis, especialmente à região do Quitandinha.

Parte das estruturas já construídas em etapas anteriores da obra deverá ser aproveitada, conforme o planejamento técnico.

Tempo de viagem poderá cair de 53 para 36 minutos

Uma das principais mudanças previstas é a redução do tempo necessário para percorrer o trecho entre Xerém, em Duque de Caxias, e Duarte da Silveira, em Petrópolis.

Segundo estimativas da concessionária, o percurso de ida e volta, que atualmente leva cerca de 53 minutos, poderá ser realizado em aproximadamente 36 minutos após a conclusão das intervenções. A redução estimada é de 17 minutos, equivalente a cerca de 32%.

Os números ainda dependem da execução do projeto e das condições operacionais da rodovia. A expectativa é que a separação entre o tráfego local e os veículos pesados também contribua para melhorar a circulação e reduzir os riscos de acidentes.

Projeto busca reduzir impactos ambientais

A modernização também prevê medidas para diminuir os impactos sobre a vegetação da região. A Elovias apresentou uma alternativa que transforma o túnel de serviço previsto originalmente em um túnel rodoviário para a descida da serra.

De acordo com estimativas preliminares da empresa, essa solução poderá evitar a supressão de aproximadamente 7,1 hectares de vegetação, uma redução de cerca de 73% em relação à área potencialmente afetada pelo projeto original.

A proposta busca ainda manter as obras fora dos limites da Reserva Biológica do Tinguá. A alteração, porém, continua em análise pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e deverá passar pela avaliação dos órgãos ambientais.

Obras enfrentam histórico de atrasos

A nova subida da Serra de Petrópolis é aguardada há anos. A obra estava prevista na concessão anterior da rodovia, administrada pela Concer, mas teve sua execução interrompida em 2016.

O projeto passou por questionamentos relacionados ao financiamento e a possíveis irregularidades nos custos. Com a concessão da BR-040 à Elovias, em novembro de 2025, a modernização voltou ao planejamento da rodovia.

O cronograma divulgado prevê o avanço dos projetos executivos e dos procedimentos ambientais antes da etapa mais intensa de escavação dos túneis. A concessionária e as autoridades trabalham com a possibilidade de antecipar parte das entregas, mas o prazo contratual para a conclusão permanece em novembro de 2030.

Segurança é uma das principais justificativas

Dados da Polícia Rodoviária Federal citados na reportagem de O Globo apontam que, entre 2024 e setembro de 2026, foram registrados 429 acidentes no trecho da Serra de Petrópolis, com 21 mortes.

O traçado sinuoso, a circulação de veículos pesados e a dificuldade de ultrapassagem estão entre os fatores que preocupam motoristas e representantes do comércio local.

Com a duplicação, os novos túneis e a correção das curvas, a expectativa é oferecer uma viagem mais segura e previsível para moradores, turistas e transportadores que utilizam a BR-040.

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