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Marília Pêra: um legado de grandes personagens

Se entre nós ainda estivesse, Marília Pêra completaria 77 anos nesta sexta-feira (22). Nascida no Rio de Janeiro, a atriz atuou pela primeira vez aos 4 anos de idade, ao lado do pai, que fazia parte do elenco da companhia “Henriette Morineau”. Filha de artistas, tornou-se bailarina, trabalhando com Bibi Ferreira no musical “Minha Querida Lady” (1962).

Marília começou a despontar na carreira de atriz na televisão. Em 1965, estreou na novela “Rosinha do Sobrado”, dando vida a protagonista Rosinha. Com apenas 50 capítulos, o enredo foi exibido na faixa das sete da Globo.

A artista participou de 49 peças, 29 novelas e 24 filmes. Na TV, conseguiu fazer muito sucesso em “Uma Rosa com Amor” (1972), “Brega e Chique” (1987) e “Cobras e Lagartos” (2006).

Entre as novas gerações, Marília ficou conhecida por interpretar Darlene no semanal “Pé na Cova” (2014), exibido pela Rede Globo. Sempre com um copo de gim e um cigarro, a personagem recebia atenção especial da atriz. Mesmo já enfraquecida pela doença, ela continuava a participar das gravações.

No cinema, obteve êxito ao atuar em “Pixote” (1980), “Bar da Esperança” (1982), “Tieta do Agreste” (1996), “Central do Brasil” (1998) e “O Viajante” (1999). Ao longo da carreira, ganhou centenas de prêmios nacionais e também internacionais.

No dia 05 de dezembro de 2015, Marília Pêra estava em seu apartamento, no bairro de Ipanema, Rio de Janeiro, quando não resistiu a uma luta contra o câncer de pulmão. Ela faleceu por conta de desgaste nos ossos do quadril.

Carreira

Atuou como bailarina dos 14 até os 21 anos em musicais e teatro de revista como, por exemplo, Minha Querida Lady (1962), estrelado por Bibi Ferreira e A Pequena Notável (1966), peça dirigida pelo ator Ary Fontoura na qual Marília interpretava Cármen Miranda.

Em 1964, venceu a cantora Elis Regina na disputa pelo papel principal da peça “Como Vencer na Vida Sem Fazer Força”. Sua estreia na televisão foi em 1965 nas novelas A Rainha do Sobrado e A Moreninha. Em 1968, foi presa pela ditadura militar que tiraniza o Brasil enquanto atuava na peça Roda Viva, de Chico Buarque, e foi obrigada pelos agentes da repressão a correr nua em um corredor polonês. Tida como uma comunista pela ditadura, foi presa novamente quando policiais invadiram sua casa assustando a todos, inclusive a seu filho de sete anos, que dormia.

Em 1969, teve um grande sucesso com a peça “Fala Baixo, Senão Eu Grito”, da dramaturga Leilah Assumpção, que lhe valeu o prêmio de Melhor Atriz da Associação Paulista dos Críticos Teatrais (atual Associação Paulista dos Críticos de Arte – APCA). Sua estreia no cinema foi em 1968, no lme “O Homem Que Comprou o Mundo”, do diretor Eduardo Coutinho (de Cabra Marcado Para Morrer). A consagração internacional veio em 1980, com o lme Pixote, a Lei do Mais Fraco, do diretor Hector Babenco (de O Beijo da Mulher-Aranha). Marília interpretou a prostituta Sueli, papel que lhe valeu, nos EUA, os prêmios de Melhor Atriz do Boston Society of Film Critics, National Society of Film Critics, além do segundo lugar como Melhor Atriz Coadjuvante no New York Film Critics Circle.

Em 1983, conquistou o prêmio de Melhor Atriz com o lme “Bar Esperança”, dirigido por Hugo Carvana (de Vai Trabalhar, Vagabundo) no Festival de Gramado. Por esse mesmo trabalho, ganhou o prêmio de Melhor Atriz da APCA, em 1984. Em 1991, conquistou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cartagena (Colômbia) pelo lme Dias Melhores Virão, dirigido por Cacá Diegues (Bye, Bye Brasil).

Seu último trabalho no cinema foi em 2008, com Polaróides Urbanas, de Miguel Falabella (A Dama do Cine Shangai), que lhe deu o Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema Brasileiro de Miami.

Homenagem

Em 2018, o selo Biscoito Fino lançou um projeto musical que a atriz estava preparando antes de sua morte. A canção “A cara do espelho”, composta por Nelson Motta e Guto Graça Mello especialmente para Marília interpretar no espetáculo “Feiticeira”, de 1975, logo após o nascimento de sua filha Esperança Pêra Motta, é uma das seis que foram lançadas na época. A Outras faixas como “Duas Contas“ (Garoto) , “Não me deixes mais”, versão de Fausto Nilo para “Ne Me Quite Pas” (Jacques Brel), trazida pelo produtor José Milton, e “Lua e Flor”, que Oswaldo Montenegro escrita para a peça “Brincando em cima daquilo”, um grande sucesso protagonizado pela atriz, também fizeram parte do repertório.

 

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