
A Agência Índica lançou o Comitê de Combate ao Negacionismo, uma iniciativa voltada à mobilização da sociedade no enfrentamento às fake news, ao negacionismo científico e à desinformação digital. Criado em parceria com a vereadora carioca Tatiana Roque (PSB), o projeto busca fortalecer o pensamento crítico, a valorização da ciência e o acesso à informação de qualidade.
O comitê surge em um contexto de crescente circulação de conteúdos falsos nas redes sociais, especialmente relacionados à ciência, à saúde pública, às mudanças climáticas e à história política e social do país. A proposta é construir uma rede permanente de conscientização e enfrentamento à desinformação, promovendo debates, ações educativas, monitoramento de conteúdos e participação popular.
O comitê busca, para além de tudo, ser uma ponte entre especialistas e atores acadêmicos com influenciadores digitais. Ou seja, um comitê que é composto por esses grupos para que influenciadores possam ter conteúdos científicos enquanto quem produz conteúdos científicos possam ter divulgação com os influenciadores que possuem um alcance maior.
A iniciativa está estruturada em três grandes eixos de atuação. O primeiro é o combate ao negacionismo científico, que se manifesta, por exemplo, na negação das mudanças climáticas, da eficácia das vacinas e da produção científica em áreas como física, química, biologia e ciências humanas.

O segundo eixo atua no enfrentamento ao revisionismo histórico, prática que busca distorcer acontecimentos históricos e seus impactos sociais, comprometendo a construção de uma leitura crítica e responsável da realidade.
Os dois campos convergem para o terceiro eixo do comitê: o combate à desinformação digital. Nesta frente, a proposta é desenvolver ações de checagem de fatos, produção de conteúdo informativo, educação midiática e monitoramento das narrativas falsas que circulam nas plataformas digitais. O objetivo é criar ferramentas de orientação para a população e ampliar a capacidade coletiva de identificar conteúdos manipulados ou enganosos.
“Negacionismo e desinformação não são apenas opiniões divergentes, mas ameaças concretas à democracia, à ciência e à construção de uma sociedade mais consciente. O comitê nasce para fortalecer o pensamento crítico e enfrentar a disseminação de mentiras que colocam vidas e direitos em risco”, destaca Francisco Figueiredo, vice-presidente do comitê e representante da Agência Índica.

Ao aproximar a academia aos influenciadores, o Comitê também visa inibir situações como do Banco Master que, segundo as investigações da Polícia Federal, realizou uma campanha com influenciadores com o objetivo de defender a instituição financeira e atacar a decisão do Banco Central de liquidar o banco.
“O ecossistema digital é hoje o maior canal de transmissão de desinformações e negacionismos, e os influenciadores cumprem um papel central tanto na disseminação dessas desinformações quanto no combate a elas. Queremos dar estrutura e espaço para que os influenciadores que nadam contra essa corrente possam conversar com a academia, as organizações sociais e de mídia e o setor público”, completa Francisco Figueiredo.
O Comitê de Combate ao Negacionismo está organizado, inicialmente, em cinco Grupos de Trabalho: Comunicação, Ensino, Territórios, Pesquisa e Monitoramento. Cada núcleo terá a função de desenvolver estratégias específicas de atuação, aproximando especialistas, educadores, pesquisadores, comunicadores e a sociedade civil dos debates promovidos pelo projeto.
Além das ações presenciais e formativas, a plataforma online do comitê contará com um canal permanente para denúncias de fake news e conteúdos desinformativos em circulação nas redes sociais. A expectativa é que o espaço também funcione como um observatório colaborativo, incentivando a participação popular no enfrentamento à desinformação.
“Vivemos um momento em que a desinformação ameaça não apenas o debate público, mas também a própria democracia. Criar espaços de diálogo, escuta e enfrentamento ao negacionismo é fundamental para fortalecer a circulação de informações baseadas em evidências”, conclui Francisco Figueiredo.
“A proposta é transformar a sociedade em agente ativo no combate às fake news, criando mecanismos de monitoramento, denúncia e conscientização que aproximem a população do pensamento crítico e da produção de conhecimento confiável”, completa Tatiana Roque.
A iniciativa é liderada pela Agência Índica e conta com a parceria institucional do mandato da vereadora Tatiana Roque, ex-secretária de Ciência e Tecnologia do município do Rio de Janeiro e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que assume a presidência do comitê.




