Polícia

Indígena é suspeito de estuprar, engravidar e ameaçar a própria filha em aldeia no RJ

A Polícia Civil da 82ªDP (Maricá) investiga um homem indígena por suspeita de estuprar, engravidar a própria filha e participar da morte do bebê recém-nascido em uma aldeia em São José do ImbassaíEle foi denunciado na última quinta-feira (21) pela filha, de 21 anos, e liberado da 82ª DP, onde o caso é investigado. Aos policiais, a filha afirmou que era estuprada frequentemente desde os 13 anos de idade.

De acordo com as polícias Civil e Militar, a criança nasceu na quinta, e a mãe relatou à cacique da Aldeia Mata Verde Bonita que sofreu ameaças do pai e foi obrigada a deixar o recém-nascido em uma área de mata. O bebê chegou a ser encontrado pelos moradores da aldeia, levado para o Hospital Conde Modesto Leal, mas não resistiu e morreu.

A Polícia Militar foi acionada por moradores da aldeia, que detiveram o suspeito e aguardaram a chegada dos agentes e representantes da Secretaria de Direitos Humanos e da Comissão de Direitos Humanos da OAB. Segundo a PM, ele confessou ser o pai da criança.

O caso foi registrado pela polícia como estupro de vulnerável, e, de acordo com o batalhão, o homem não ficou preso “por não estar em flagrante”.

Indignação

Por meio de nota, a Prefeitura de Maricá lamentando o caso. “A Prefeitura de Maricá lamenta profundamente os crimes de estupro de uma jovem e morte de um bebê ocorridos na aldeia indígena em São José do Imbassaí, e informa que é de competência da Fundação Nacional do Índio (Funai) acompanhar e observar todas e quaisquer questões indígenas, não só em Marica, mas em todo país”.

A Prefeitura informa ainda que “os crimes foram reportados à Coordenadoria Indígena da Secretaria de Direitos Humanos que, imediatamente, tomou a providência de acionar os órgãos competentes, tanto de saúde como de segurança pública”.

“A Prefeitura Municipal se compadece da dor e da revolta dos moradores da aldeia e está priorizando, desde o primeiro momento, o atendimento e amparo às vítimas, colocando à disposição sua estrutura de saúde e direitos humanos, que está atuando no local desde o primeiro dia e continuará prestando todo auxílio necessário”, diz trecho da nota.

A Prefeitura finalizou a nota reafirmando “a fé na justiça, para que o caso seja resolvido e os culpados sejam punidos”.

A Prefeitura também divulgou no sábado (23) uma carta de indignação escrita pela cacique Jurema Nunes da aldeia Mata Verde Bonita. A carta diz:

“Nós, da aldeia Mata Verde Bonita, em São José do Imbassaí, queremos mostrar nossa indignação sobre os fatos que aconteceram na nossa aldeia nos últimos dias.

 

Quinta-feira, 21 de janeiro, durante a limpeza do espaço da aldeia, encontramos na mata um bebê recém-nascido. Logo nós o socorremos e uma das enfermeiras de saúde indígena ajudou a fazer os primeiros socorros e depois socorremos de carro até o hospital de Maricá, mas o bebê chegou sem vida.

Nós, depois que voltamos no hospital fomos averiguar o que aconteceu e descobrimos uma menina que vinha sofrendo estupro pelo próprio pai e que ele obrigou ela a abandonar o bebê.

A comunidade chocada foi atrás dele que já estava fugindo, mas os guerreiros da aldeia pegaram ele e ele confessou o crime que cometeu e assim seguramos ele até a chegada da polícia. A cacique da aldeia foi até a delegacia prestar denúncia e ficamos indignados ao saber que o acusado não ficou preso.

A comunidade não entende a decisão da justiça brasileira que deixou impune uma pessoa que cometeu um crime tão bárbaro. Na aldeia todos estão de luto até porque nosso costume, nossa cultura, nossa maneira de ser não nos ensina assim, nós somos Tupi Guarani, e aprendemos a cuidar uns dos outros e a proteger toda a nossa comunidade.

Hoje a comunidade se dedica a cuidar dessa jovem que não teve infância e tanto sofreu.

Estamos buscando juntos passar por esse momento difícil para nossa comunidade.

Agora queremos a justiça que ele pague por tudo que ele fez e não mais consideramos ele como Tupi Guarani”.

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