O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na eleição presidencial, contou com apoio de integrantes do governo de Donald Trump para deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos. Entretanto, a repercussão política da viagem e de uma carta divulgada pelo parlamentar provocou desconforto na Casa Branca, que teria estabelecido limites à sua exposição pública.
Segundo informações publicadas pelo jornal americano The New York Times e reproduzidas pelo Correio Braziliense, Jason Miller, integrante da área de comunicação do governo Trump, teria providenciado o jato particular utilizado por Flávio e sua família. A articulação teria ocorrido após o senador receber uma determinação judicial para entregar seus passaportes à Polícia Federal (PF).
Viagem passou por Argentina e Equador
De acordo com a reportagem, Flávio deixou o Brasil por via terrestre, atravessando a fronteira com a Argentina. Em seguida, embarcou em uma aeronave particular que fez uma escala no Equador para reabastecimento antes de seguir para Miami, na Flórida.
A organização da viagem teria contado com a participação de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que procurou Jason Miller para viabilizar o deslocamento.
A Polícia Federal brasileira investiga as circunstâncias da saída do parlamentar, especialmente porque havia uma ordem judicial determinando a entrega de seus documentos de viagem.
Carta provocou reação do governo americano
Após chegar aos Estados Unidos, Flávio divulgou uma carta na qual se apresentou inicialmente como o verdadeiro presidente eleito do Brasil, apesar da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A declaração provocou desconforto entre integrantes do governo Trump. Segundo o Correio Braziliense, autoridades americanas cobraram uma alteração no documento, e o senador substituiu a expressão “presidente eleito” por “líder do Brasil”.
A mudança foi interpretada como uma tentativa de evitar que a manifestação provocasse novos problemas diplomáticos entre Washington e Brasília.
Trump evita reconhecer Flávio como vencedor
Embora tenha criticado o resultado das eleições brasileiras, Donald Trump evitou reconhecer Flávio Bolsonaro como presidente eleito. O republicano voltou a questionar o processo eleitoral e afirmou que pretende conversar com Lula, mas não declarou apoio à reivindicação do senador.
A postura evidencia uma diferença entre a disposição do governo americano de acolher Flávio nos Estados Unidos e o interesse em evitar que suas declarações provoquem consequências políticas e diplomáticas mais amplas.
Senador pretende permanecer nos Estados Unidos
A reportagem também aponta que Flávio poderá solicitar residência permanente nos Estados Unidos, por meio do chamado green card. Uma fonte do governo americano ouvida pelo New York Times afirmou que o pedido poderia receber tramitação acelerada, em procedimento semelhante ao concedido anteriormente a Eduardo Bolsonaro.
A permanência do senador no país ocorre enquanto ele é alvo de investigações conduzidas pela Polícia Federal. Entre os procedimentos estão apurações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
As investigações ainda estão em andamento, e as suspeitas deverão ser apuradas pelas autoridades competentes.





