O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o retorno de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal. A decisão foi tomada após o ministro André Mendonça determinar o afastamento do policial.
Segundo Dino, a medida é necessária para evitar “danos irreparáveis” a processos que estão sob sua relatoria. Como a decisão de Dino é posterior, é ela que passa a valer neste momento.
O afastamento havia sido determinado por Mendonça após o ministro afirmar ter sido alvo de um suposto “monitoramento sistemático” realizado pela área de inteligência da PF. O magistrado citou seis relatórios produzidos entre 3 e 31 de agosto, com informações sobre sua atuação e sua relação com o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Crise envolve relatórios da PF
A disputa entre os ministros se intensificou após Alexandre de Moraes determinar uma investigação sobre possíveis irregularidades envolvendo Mendonça, com base em relatórios de inteligência da PF.
Os documentos levantavam hipóteses de eventual interferência na Polícia Federal e direcionamento de delações. Moraes determinou o envio de documentos que citassem integrantes do STF.
Mendonça, por sua vez, afirmou que os relatórios revelam “monitoramento e coleta dirigida” de informações sobre ele e Jorge Messias e classificou a prática como ilícita.
A Segunda Turma do STF chegou a formar maioria para manter o afastamento determinado por Mendonça, mas o ministro Gilmar Mendes pediu vista e interrompeu o julgamento no plenário virtual.
Tensão no STF
A crise também envolve mensagens trocadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, com integrantes do STF e autoridades. O caso ganhou força após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que continha mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes.
O presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que os fatos serão analisados com rigor, mas defendeu cautela e respeito às garantias institucionais.
Fachin também determinou que Moraes e Mendonça prestem esclarecimentos, assim como o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Andrei Rodrigues.





