Os estudantes brasileiros apresentaram indicadores positivos relacionados ao ambiente escolar e ao uso de tecnologias, segundo dados do Pisa 2025, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC). O levantamento aponta que regras para o uso de celulares nas escolas estão associadas a uma menor probabilidade de os alunos relatarem distrações provocadas por dispositivos digitais.
De acordo com o MEC, os resultados estão alinhados às evidências internacionais sobre o tema. A pasta também relaciona os dados à implementação da Lei nº 15.100/2025, que estabeleceu regras para o uso de celulares na educação básica brasileira.
No relatório anterior, divulgado em 2022, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) já havia apontado que o uso excessivo de dispositivos digitais prejudica o desempenho dos estudantes nos países analisados.
Mais curiosidade e perseverança
O levantamento também revela mudanças na relação dos estudantes com a escola. Em 2025, 72% dos alunos brasileiros disseram ter interesse por diversos assuntos, enquanto 59% afirmaram se esforçar mais diante de desafios.
A parcela de estudantes que considera a escola uma perda de tempo caiu para 16%, índice abaixo da média de 24% registrada nos países da OCDE. Em comparação com 2022, houve uma redução de 6,9 pontos percentuais.
Os dados indicam ainda uma relação entre a valorização da educação e o desempenho acadêmico. No Brasil, estudantes que reconhecem a importância da escola e rejeitam a ideia de que ela seja uma perda de tempo obtiveram, em média, 35 pontos a mais em ciências do que os colegas. Na média da OCDE, a diferença foi de 27 pontos.
Brasileiros se destacam em preocupação ambiental
O Pisa 2025 também aponta um elevado nível de engajamento dos estudantes brasileiros com questões ambientais.
Segundo os dados, 84% dos alunos acreditam que podem contribuir para gerar impactos positivos no meio ambiente. Outros 87% confiam na ação coletiva para enfrentar desafios ambientais, enquanto 77% afirmam saber trabalhar em grupo para promover mudanças positivas.
Os três índices ficaram acima das médias registradas entre os países da OCDE.
O que é o Pisa?
Coordenado pela OCDE, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) é aplicado a cada três anos a jovens de 15 anos e é considerado uma das principais avaliações educacionais internacionais.
O exame avalia a capacidade dos estudantes de utilizar conhecimentos de matemática, leitura e ciências em situações do cotidiano. A cada edição, uma das áreas recebe maior destaque. Em 2025, o foco principal foi ciências, além da inclusão de uma avaliação de língua estrangeira e de um novo domínio relacionado à aprendizagem no mundo digital.
No Brasil, a aplicação é coordenada pelo Inep, responsável pela seleção das escolas participantes, organização do exame e análise dos resultados. O país participa do Pisa desde 2000.
A avaliação é feita por amostragem e não envolve todos os estudantes brasileiros de 15 anos. O calendário foi alterado durante a pandemia de covid-19: a edição prevista para 2021 ocorreu em 2022, enquanto a avaliação inicialmente prevista para 2024 foi realizada em 2025.
A OCDE reúne 38 países e produz estudos, estatísticas e recomendações sobre políticas públicas e desenvolvimento econômico e social. Embora o Brasil não seja membro da organização, participa de programas como o Pisa e recebeu, em 2022, um convite formal para iniciar o processo de adesão.





