
A influenciadora Deolane Bezerra deixou a Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte de São Paulo, por volta das 5h da manhã desta sexta-feira (22), em comboio. A informação foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) e pela defesa de Deolane.
A transferência tem como destino a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do estado, onde ela deve permanecer presa preventivamente. A viagem tem duração de cerca de 7h30. A expectativa é de que Deolane chegue a Tupi Paulista por volta das 12h30.
Segundo o advogado da influenciadora, também está em análise um pedido de prisão domiciliar, sob a alegação de que ela precisa cuidar da filha de 9 anos.
Ela foi presa preventivamente nesta quinta-feira (21) no condomínio onde mora, em Alphaville, em uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil contra um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.
Segundo o Ministério Público, Deolane deveria ter sido presa nesta quarta-feira (20), em Roma, na Itália. O promotor Lincoln Gakyia viajou ao país com apoio da Interpol e da polícia italiana, mas a influenciadora antecipou a volta ao Brasil e acabou presa em casa.
“Esses mandados foram para difusão sigilosa, é uma modalidade de difusão vermelha da Interpol, para que a gente possa cumprir esses mandados apenas quando a operação for deflagrada. Imaginem se nós tivéssemos cumprido o mandado aqui na Itália, por exemplo, antes de ela vir embora e já estar com o mandado em mãos, a gente não conseguiria fazer o cumprimento do mandado no Brasil, como foi feito hoje, com êxito.”
A investigação aponta que a influenciadora teria sido usada como “caixa” para limpar dinheiro de uma empresa de fachada da facção, controlada pelo chefe Marcola e o irmão Alejandro Camacho. Uma transportadora em Presidente Venceslau, no interior paulista.
Deolane e empresas em seu nome receberam quase R$ 2 milhões em transferências fracionadas, para despistar órgãos fiscais.
Em entrevista coletiva, o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira, afirmou que influenciadores digitais passaram a ser usados para esconder o dinheiro sujo.
“Nós entendemos, ao longo da investigação, que a Deolane, até pelo poder econômico que ela adquiriu ao longo do tempo e pela sua influência, ela funciona como uma espécie de caixa do crime organizado. Então, o crime organizado deposita esses valores nessa pessoa, figura pública, que esse dinheiro acaba se misturando com o dinheiro de outras atividades e, quando precisa desses recursos, esses recursos retornam para o crime organizado.”
A Polícia afirma que não havia registro de serviço prestado por Deolane à transportadora.
Ao todo, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 357 milhões. R$ 27 milhões em nome de Deolane Bezerra.
Além de Deolane, foi preso o operador financeiro, Everton de Souza, conhecido como Player.
Os sobrinhos de Marcola, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, estão foragidos no exterior.
Cartas apreendidas em presídio levaram a investigação de empresa de transporte
A origem do caso remonta a 2019. Na época, policiais penais fizeram uma revista em uma cela da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Dois presos tentaram se desfazer de manuscritos jogando os papéis no esgoto. O material foi recuperado, seco e remontado.
Segundo a Polícia Civil, uma das cartas falava de planos do crime organizado, ataques a agentes públicos, fuzis e citava a chamada “mulher da transportadora”. Foi a partir desse material que os investigadores chegaram ao casal responsável pela empresa.
A defesa da influenciadora afirma que está se inteirando dos fatos.




