A África do Sul está preparando uma operação de aproximadamente R$ 127 milhões para erradicar cerca de 1 milhão de camundongos invasores da Ilha Marion, território localizado no sul do Oceano Índico, próximo à Antártida. A ação busca proteger aves marinhas ameaçadas pelos roedores, que colocam em risco o equilíbrio ecológico da região.
Batizado de Mouse-Free Marion (Marion Livre de Camundongos), o projeto prevê o lançamento de cerca de 550 toneladas de iscas com raticida por helicópteros, cobrindo toda a extensão da ilha, que possui aproximadamente 30 mil hectares. Caso seja bem-sucedida, a iniciativa será a maior operação de erradicação de camundongos já realizada em uma única ilha.
Invasão começou há mais de dois séculos
Os camundongos chegaram à Ilha Marion de forma acidental no início do século XIX, levados por caçadores de focas e marinheiros. Sem predadores naturais e favorecidos pelas mudanças climáticas, que tornaram os invernos menos rigorosos, os animais se multiplicaram rapidamente.
Com a redução da oferta de insetos e outros alimentos, os roedores passaram a atacar ovos, filhotes e até aves adultas. Como as espécies locais evoluíram sem a presença de mamíferos terrestres, elas praticamente não possuem mecanismos de defesa contra os ataques.
Ecossistema ameaçado
A Ilha Marion abriga milhões de aves marinhas e concentra quase metade da população mundial de albatrozes-errantes. Segundo pesquisadores, a presença dos camundongos ameaça 19 das 28 espécies de aves que se reproduzem no local.
Além da perda de biodiversidade, o impacto afeta todo o ecossistema. As aves desempenham um papel fundamental no transporte de nutrientes do oceano para a terra por meio de suas fezes, contribuindo para a manutenção da vegetação, dos insetos e da vida marinha próxima ao litoral.
Operação exigirá precisão
Durante a missão, helicópteros equipados com sistemas de GPS farão a distribuição uniforme das iscas, inclusive em áreas de difícil acesso. Equipes em solo também atuarão na aplicação manual do raticida em cavernas e túneis de lava.
Os especialistas destacam que a operação precisa eliminar praticamente todos os roedores. A sobrevivência de uma única fêmea grávida seria suficiente para que a população voltasse a crescer e comprometesse todo o investimento.
Riscos ambientais serão monitorados
Os responsáveis pelo projeto reconhecem que o uso de raticida pode afetar outras espécies. Por isso, a operação foi planejada para ocorrer em um período de menor presença de animais vulneráveis, além de contar com monitoramento ambiental antes, durante e após a aplicação das iscas.
A iniciativa ainda está em fase final de planejamento logístico e captação de recursos, mas pesquisadores alertam que a ausência de uma intervenção pode levar diversas espécies de aves marinhas ao desaparecimento na Ilha Marion.





