Um policial militar da ativa é investigado por suspeita de participação nas atividades da milícia liderada por Juninho Varão, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Segundo a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE), o 3º sargento Carlos Luis Torres Correia, conhecido como Carlão, participaria de reuniões do grupo envolvido em cobranças ilegais a moradores do Condomínio Jardim Guandu.
O agente foi alvo de mandados de busca e apreensão e compareceu à Cidade da Polícia, no Jacarezinho, Zona Norte do Rio, para prestar esclarecimentos. Ele negou qualquer ligação com a organização criminosa e afirmou que provará sua inocência. De acordo com a reportagem de O Dia, o advogado que o acompanhava informou que ainda não havia tido acesso aos autos do processo.
Milícia cobraria mensalidades dos moradores
De acordo com a delegada Luciana Fonseca, responsável pela investigação, a presença do policial nas reuniões seria usada para intimidar os moradores e pressioná-los a pagar as cobranças impostas pela milícia.
As apurações apontam que cada morador pagava cerca de R$ 70 mensais, enquanto a arrecadação total do grupo ficaria entre R$ 85 mil e R$ 100 mil por mês.
A investigação também indica que Carlão teria influência na administração da estrutura criminosa e participaria de grupos de WhatsApp usados pelo esquema. Segundo a delegada, síndicos mencionavam a presença do policial nos encontros como forma de reforçar a pressão sobre os moradores.
Ainda conforme a polícia, não há indícios de que o sargento realizasse pessoalmente as cobranças. A delegada também afirmou que os integrantes da milícia ameaçavam moradores de morte.
Investigação apura morte de morador
A Polícia Civil investiga uma possível ligação entre a atuação do grupo e a morte de um morador que teria sido retirado de casa e encontrado dias depois no Rio Guandu. A apuração do homicídio está sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense.
Durante a operação, os agentes também tentavam cumprir mandados de prisão preventiva contra Felipe Alves da Silva, conhecido como Felipinho ou Portugal, apontado como responsável pelo comando operacional das cobranças, e Marcos Francisco dos Prazeres Júnior, o MJ, identificado como um dos principais executores das intimidações.
Celulares, computadores e distintivo foram apreendidos
Na ação, os policiais apreenderam celulares, computadores, outros aparelhos eletrônicos e anotações. Dentro do condomínio, também foi encontrado um veículo cuja propriedade ainda não havia sido identificada.
No interior do automóvel, os agentes localizaram um objeto semelhante a um porrete, que poderia ser usado para intimidar pessoas, além de um distintivo da Polícia Militar com suspeita de falsificação.
As suspeitas contra o sargento seguem no âmbito da investigação policial. Até que haja decisão judicial, ele deve ser considerado inocente.




