DestaqueGeral

República Democrática do Congo e grupo rebelde M23 definem roteiro para negociações de paz

Plano estabelece etapas e prazos para retomar o diálogo, prevê mecanismo de monitoramento do cessar-fogo e busca avançar no acordo firmado em Doha, no Catar

A República Democrática do Congo (RDC) e o grupo armado M23, apoiado por Ruanda, chegaram a um acordo sobre um roteiro para dar continuidade às negociações de paz no leste do país africano. O entendimento foi anunciado após uma rodada de conversas realizada na Suíça, entre os dias 17 e 21 de agosto.

O plano estabelece etapas e prazos para as negociações previstas no acordo-quadro de Doha, firmado em novembro de 2025, com mediação dos Estados Unidos. Apesar do compromisso diplomático, os confrontos entre as forças governamentais e os rebeldes continuaram após a assinatura do documento.

Acordo prevê fiscalização do cessar-fogo

Segundo um comunicado conjunto divulgado pela Suíça, as partes concordaram em estabelecer procedimentos padronizados para comunicar possíveis violações do cessar-fogo.

Também foi prevista a criação de um mecanismo para acompanhar o cumprimento das obrigações assumidas e identificar dificuldades na implementação do acordo de Doha.

Uma primeira missão de verificação do cessar-fogo foi programada para Minembwe, na província de Kivu do Sul, região oriental da República Democrática do Congo. A iniciativa busca fortalecer o monitoramento dos compromissos e contribuir para a redução das hostilidades.

As negociações contaram com representantes dos Estados Unidos, do Catar, da Suíça, da Comissão da União Africana e do Togo, que atuou como mediador da organização africana.

Conflito persiste em região rica em minerais

O leste da República Democrática do Congo enfrenta décadas de instabilidade e disputas territoriais envolvendo diferentes grupos armados. A região possui importantes reservas de minerais utilizados na fabricação de equipamentos eletrônicos e outras tecnologias.

Entre os grupos envolvidos está o M23, que conquistou extensas áreas do território congolês em 2025. O movimento é apoiado por Ruanda, acusação que faz parte das tensões entre os governos dos dois países.

A continuidade dos combates, mesmo após acordos diplomáticos anteriores, evidencia os obstáculos para alcançar uma solução duradoura para o conflito.

Negociações buscam avançar além dos compromissos anteriores

No comunicado divulgado após a reunião, as partes reafirmaram o compromisso de buscar uma solução abrangente para o conflito por meio da implementação do acordo-quadro de Doha.

O novo roteiro representa uma tentativa de organizar as próximas etapas do diálogo, com prazos definidos, mecanismos de acompanhamento e procedimentos para tratar possíveis violações da trégua.

Apesar do avanço diplomático, a consolidação da paz dependerá do cumprimento dos compromissos assumidos e da capacidade de reduzir a violência no terreno.

Fonte: Euronews, com informações sobre o comunicado conjunto divulgado pela Suíça.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo