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PF investiga esquema de lavagem de R$ 7,6 bilhões em rede de postos de combustíveis no Rio

Operação Unha e Carne prende Márcio Canella, deputado estadual eleito, o ex-chefe da Polícia Civil Marcus Amim e outros quatro investigados; Justiça determinou medidas contra 112 empresas

A Polícia Federal investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos por meio de uma rede de postos de combustíveis no estado do Rio de Janeiro. A apuração levou à prisão do deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, e do delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do estado, nesta quinta-feira (15).

A ação faz parte da oitava fase da Operação Unha e Carne, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a PF, as movimentações financeiras suspeitas foram identificadas em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Investigação alcança 96 postos de combustíveis

De acordo com as informações divulgadas pela Polícia Federal, o esquema investigado envolveria 96 postos de combustíveis, supostamente utilizados para ocultar ou dissimular a origem de recursos ilícitos.

A Justiça determinou seis mandados de prisão preventiva e 16 mandados de busca e apreensão, além do sequestro de bens e valores e da suspensão das atividades econômicas de 112 empresas suspeitas de ligação com o grupo.

As diligências ocorreram no Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.

Além de lavagem de dinheiro e organização criminosa armada, os investigados poderão responder por corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, entre outros crimes que possam ser identificados durante a apuração.

Prisões envolvem políticos e agentes públicos

Além de Márcio Canella e Marcus Amim, a operação prendeu quatro policiais civis: Cristiano Gaspar Fernandes, Giovanne Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Juquiá Félix Ferreira, conhecido como Pablo Russo.

A investigação busca esclarecer a possível participação de agentes públicos e eventuais conexões político-institucionais que teriam contribuído para o funcionamento do esquema.

Canella foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro nas eleições de 2026, com 197.178 votos. Ele já havia sido preso em julho, durante uma fase anterior da operação, depois que um fuzil foi encontrado em um veículo utilizado por ele. Na ocasião, a defesa afirmou que a arma pertencia ao policial militar responsável por sua segurança.

Marcus Amim chefiou a Polícia Civil fluminense entre 2023 e 2024 e também foi alvo da investigação em etapa anterior. Posteriormente, passou a atuar na estrutura de segurança da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Defesas e investigação

Segundo informações divulgadas pela imprensa, a defesa de Canella afirmou que ainda não havia tido acesso à decisão judicial que fundamentou a nova prisão. As defesas dos demais investigados também foram procuradas para se manifestar.

Em nota, a Polícia Civil do Rio informou que não compactua com desvios de conduta e que a Corregedoria-Geral acompanha a operação, adotando as medidas administrativas e disciplinares cabíveis diante de possíveis irregularidades.

A investigação continua para esclarecer a origem e o destino dos recursos movimentados, identificar a participação individual dos suspeitos e apurar eventuais responsabilidades. As acusações ainda dependem de comprovação no curso do processo judicial.

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