A Polícia Federal (PF) prendeu nesta quinta-feira (15) o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, e o delegado Marcus Vinícius Amim, ex-secretário de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro. As prisões ocorreram durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis no estado.
Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos, conforme relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A apuração busca identificar a participação de agentes públicos e possíveis conexões político-institucionais no esquema.
Operação cumpre mandados em sete municípios
A ação prevê o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.
De acordo com a PF, a Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas à rede investigada. Entre os estabelecimentos estão postos de combustíveis que, segundo as suspeitas, seriam utilizados para ocultar ou dissimular a origem de recursos ilícitos.
Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, por organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, entre outros possíveis crimes.
Márcio Canella já havia sido preso em julho
Esta é a segunda vez que Canella é preso no âmbito da Operação Unha e Carne. Em julho deste ano, durante a sexta fase da investigação, ele foi detido em flagrante após agentes federais encontrarem um fuzil calibre 5,56 em um veículo utilizado por ele. Na ocasião, a defesa afirmou que a arma pertencia ao policial militar responsável por sua segurança.
Canella foi prefeito de Belford Roxo e chegou a se apresentar como pré-candidato ao Senado, mas acabou disputando uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Ele foi eleito com 197.178 votos, o segundo maior resultado para deputado estadual no estado.
A defesa do parlamentar informou, segundo reportagem do UOL, que ainda não havia tido acesso aos autos da investigação.
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Ex-chefe da Polícia Civil também é alvo
Marcus Vinícius Amim comandou a Polícia Civil fluminense entre 2023 e 2024. Ele também já havia sido alvo de medidas investigativas em uma fase anterior da operação.
A Polícia Civil informou que não compactua com desvios de conduta e que a Corregedoria-Geral acompanha a ação, adotando as medidas administrativas e disciplinares cabíveis diante de indícios de irregularidades.
As investigações seguem em andamento, e as suspeitas ainda deverão ser apuradas no curso do processo. A responsabilização criminal depende da comprovação dos fatos e da decisão da Justiça.





