Flaco López disputa jogada com Maripán em Palmeiras x Internacional — Foto: Marcos Ribolli
Por Gabriel Duarte
A partir de 2027, o limite de atletas estrangeiros em clubes das Séries A e B, a constarem em súmula em jogos do Brasileiro, será diminuído. Atualmente, são 159 atletas considerados estrangeiros – de 26 países – na elite nacional: média de oito por clube. Do total, 25% não nasceram no Brasil.
Atualmente, um clube pode listar em súmula até nove jogadores estrangeiros por partida pelo regulamento. A proposta aprovada pelos clubes prevê iniciar a redução com oito estrangeiros, em 2027, e chegar ao limite de cinco, em 2030.
Assim, a atual média se encaixaria dentro da nova realidade a partir do próximo ano. Dentro do elenco, cada clube pode ter quantos estrangeiros desejar, mas só pode listar em súmula a quantidade permitida pelo regulamento.
O levantamento contou com a ajuda de Gato Mestre.
Estrangeiros em cada clube:
Athletico-PR (11 estrangeiros): Carlos Terán, Tabares, Vargas, Alejandro García, Portilla, Viveros, Jorge Rivaldo e Mendoza (Colômbia), Lucas Esquivel, Benavidez e Zapelli (Argentina)
Atlético-MG (9 estrangeiros): Alan Franco, Alan Minda e Preciado (Equador); Borbas, Tomás Pérez e Cuello (Argentina); Cassierra e Kevin Castaño (Colômbia) e Mamady Cissé (Guiné)
Bahia (8 estrangeiros): Alejo Véliz, Guido Herrera, Lautaro López, Sanabria e Román Agustín Gómez (Argentina); Marco Moreno (Espanha); Michel Araújo e Acevedo (Uruguai)
Vasco (11 estrangeiros): Puma Rodríguez e Saldívia (Uruguai); Andrés Gómez, Rojas, Hinestroza e Carlos Cuesta (Colômbia); Colídio, Lescano, Sosa e Spinelli (Uruguai); Nuno Moreira (Portugal)
Remo (6 estrangeiros): Andrés González (Colômbia); Tchamba (Camarões); Catarozzi e Tassano (Uruguai) Picco (Argentina) e Galeano (Paraguai)
Argentina tem mais representantes
A América do Sul domina entre os países com mais representantes. A Argentina lidera com 48 atletas. O Uruguai vem depois com 32. O Top-5 é completado por: Colômbia (27), Paraguai (13) e Equador (10).
Outros 21 países também são representados, entre os localizados na América do Sul, Europa e África: Portugal (7); Espanha, Itália e Venezuela (três, cada um); Peru, Chile, Angola, Gana e Marrocos (dois cada um). com um estão Bolívia, Cabo Verde, Guiné, Croácia, Panamá, Dinamarca, Holanda, Inglaterra, México, Suécia, Camarões e RD Congo.
Kannemman não é estrangeiro?
Há atletas que não entram na contagem. São jogadores com dupla cidadania, que nasceram no Brasil e defendem outras seleções ou aqueles com vínculos parentais com o país. São oito casos: Jorginho (Flamengo), Maurício (Palmeiras), Matheus Reis (Fluminense), Coronel e Rafael Tolói (São Paulo), Kannemmann (Grêmio), Elliasson (Suécia) e João Costa (Cruzeiro).
Jogadores contratados para o Sub-20 também não foram incluídos na lista do ge. Casos de Azambuja, do Athletico; Koné, do Palmeiras, Nicolás Talero e Alejandro Almaraz, do Vitória, e Sayago, do Flamengo.
O Mirassol é o único clube da Série A que não tem atletas estrangeiros.
Por que reduzir estrangeiros?
O objetivo da mudança gradual é evitar um impacto negativo nos clubes, considerando contratos já assinados. Bahia, Flamengo e Londrina votaram contra a mudança. O objetivo é dar mais oportunidades a atletas formados na base, que tiveram participação reduzida nos últimos anos.
Também foi aprovada uma mudança nas inscrições de jogadores para fomentar a formação dos jovens. A partir do ano que vem, os elencos poderão inscrever 50 atletas no Brasileirão, sendo que pelo menos 20 deles precisam ter até 23 anos. A ideia é que essa mudança também seja gradual e que, em 2030, a proporção seja de 25 jogadores de idade livre e 25 com menos de 23 anos.
Um dos fatores observados foi a média de idade dos jogadores do Brasileirão, de 28,5 anos, acima de outras ligas de destaque como Espanha (27), França (26) e Itália (26,1). Na visão da CBF, essa diferença leva a uma queda de desempenho dos atletas no país.
Como a regra de estrangeiros mudou?
A regra de limite de estrangeiros mudou no futebol brasileiro ao longo do tempo. Em 2013, eram permitidos três estrangeiros relacionados. O número aumentou para cinco em 2014, número que se manteve até 2022. O número saltou para sete em 2023 e chegou a nove em 2024, situação atual.
Nesse período, cresceu também a presença efetiva de estrangeiros nas partidas. Na Série A, 95 estrangeiros entraram em campo em 2022; em 2025, foram 162 e, em 2026, 146 já haviam sido utilizados até o momento do levantamento, com outros 13 inscritos e ainda em condições de estrear.
Uma das constatações feitas pela CBF é a de que as oportunidades para os jovens jogadores brasileiros está diminuindo e que essa redução pode “secar” a formação de atletas no país. A entidade considera que essa redução é causada, principalmente, pela chegada de estrangeiros mais experientes, que são utilizados em detrimento de jovens que ainda necessitam amadurecer.
Um levantamento feito pela CBF mostra que o movimento se intensificou a partir de 2023, quando o limite de estrangeiros foi aumentado para sete. A partir daí, o tempo em campo de jogadores de fora do país ultrapassou o dos jovens, que tiveram uma redução drástica.
Na Série B…
A realidade é bem diferente. São 52 estrangeiros distribuídos entre os 20 clubes participantes de 2026.
O América-MG, perto de ser rebaixado à Série C do Brasileiro, é o time com mais jogadores de fora do país: sete. Com seis vem o Ceará. Fortaleza, Athletic e Atlético-GO tem cinco atletas cada um. Com quatro estão Juventude, Novorizontino e Operário. Náutico e Sport têm três cada um.
América-MG é o time com mais estrangeiros na Sé — Foto: Gilson Lobo/AGIF
O Criciúma tem dois jogadores de fora do Brasil. Com um estão Botafogo-SP, Goiás, Londrina e Ponte Preta. Cinco times da Série B não têm jogadores estrangeiros: Avaí, CRB, Cuiabá, São Bernardo e Vila Nova.
Em termos de nacionalidade, a Série B também segue o padrão da A. A Argentina é o país com mais representantes: 13. A Colômbia tem nove jogadores junto do Uruguai. Paraguai e Portugal têm quatro.