A investigação da Polícia Federal na Operação Sem Refino 2 identificou um conjunto de bens milionários que, segundo os investigadores, estaria ligado a ex-gestores do governo de Cláudio Castro. Entre os patrimônios citados estão uma mansão em Angra dos Reis, uma lancha e um helicóptero que, juntos, são avaliados em cerca de R$ 17,8 milhões.
A operação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, sonegação de impostos, fraudes em licenças ambientais e outros crimes relacionados ao grupo econômico da Refit. Segundo a PF, ex-integrantes do governo estadual teriam atuado para favorecer empresas.
Entre os nomes mencionados na investigação estão o ex-secretário estadual do Ambiente Bernardo Rossi e o ex-presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) Renato Bussiere.
Mansão de R$ 12 milhões em Angra
Angra dos Reis, na Costa Verde, foi um dos locais visitados pelos agentes durante a operação. No município, a PF encontrou uma lancha avaliada em aproximadamente R$ 4 milhões, que os investigadores suspeitam estar ligada a Rossi e Bussiere.
Bussiere também aparece relacionado a uma mansão localizada em um condomínio de luxo da cidade. O imóvel tem mais de mil metros quadrados de área construída e é avaliado em cerca de R$ 12 milhões. Segundo a investigação, metade da propriedade foi adquirida por uma empresa patrimonial ligada ao ex-presidente do Inea.
Mensagens obtidas pela PF teriam reforçado a suspeita de que Bussiere seria o proprietário de fato da residência. Nas conversas, ele se referia ao imóvel como “sua casa” e chegou a convidar pessoas para uma festa de aniversário no local.
Helicóptero de R$ 1,8 milhão
A investigação também aponta que Bussiere teria negociado a compra de um helicóptero Robinson R44 por aproximadamente R$ 1,8 milhão. A aeronave, porém, não estava formalmente registrada em seu nome.
O nome de Bernardo Rossi aparece em registros financeiros relacionados ao helicóptero. Segundo a PF, embora ele também não figure como proprietário oficial, sua presença em controles de despesas indicaria possível vínculo com a utilização da aeronave ou com a estrutura responsável por seus custos.
A defesa de Rossi nega qualquer relação de propriedade com o helicóptero. Os advogados afirmam que a aeronave era compartilhada e disponibilizada mediante pagamento pelo uso. Segundo eles, o ex-secretário utilizou o equipamento poucas vezes e os registros em seu nome estariam relacionados exclusivamente às despesas desses deslocamentos.
Advogado é citado como possível operador financeiro
Outro personagem mencionado no inquérito é o advogado Antônio Carlos da Conceição Santos, conhecido como Pipo. Para a PF, ele teria exercido papel relevante em um suposto esquema de lavagem de dinheiro, inclusive como possível intermediário na aquisição de bens e no pagamento de despesas pessoais de terceiros.
Entre os episódios investigados está a compra de aproximadamente R$ 10 mil em caviar para Cláudio Castro. Segundo a PF, a despesa teria sido paga por uma empresa ligada ao advogado.
O nome de Pipo também aparece relacionado a uma festa de aniversário de Castro realizada em 2024, em uma mansão em Angra dos Reis. De acordo com os investigadores, o então governador teria chegado ao local de helicóptero, enquanto Pipo teria atuado como anfitrião da comemoração.
O que dizem os investigados
Cláudio Castro confirmou que participou, em 2024, de uma comemoração de aniversário em Angra dos Reis, mas afirmou que o imóvel pertencia a terceiros. O ex-governador negou ser proprietário da mansão e declarou que todos os deslocamentos aéreos realizados durante sua gestão ocorreram dentro da legalidade.
Bernardo Rossi afirmou, por meio de sua defesa, que nunca foi proprietário do helicóptero citado pela PF. Os advogados também rejeitaram qualquer tentativa de associá-lo a um esquema de lavagem de dinheiro.
Renato Bussiere negou ser proprietário da lancha. Segundo ele, a embarcação nunca esteve registrada em seu nome e sua relação com o barco se limitava ao compartilhamento de despesas durante os períodos em que o utilizava.
Sobre a mansão, Bussiere afirmou que frequenta o imóvel desde 2022 e que contribuía com os custos relacionados à utilização da propriedade.
A Operação Sem Refino 2 investiga, entre outros crimes, lavagem de capitais, gestão fraudulenta, evasão de divisas, crimes contra a ordem econômica e corrupção.





