Filha da atriz Regina Casé e do artista plástico Luiz Zerbini, ela utiliza o teatro para ampliar o debate sobre deficiência auditiva, capacitismo, acessibilidade e inclusão.
Benedita é surda desde a primeira infância, após perder a audição em decorrência do uso de medicamentos ototóxicos durante o tratamento de uma pneumonia severa. Surda oralizada, ela utiliza aparelhos auditivos desde os três anos e convive com perda bilateral severa e profunda.
Embora tenha crescido em uma família com acesso à informação e aos recursos necessários, a atriz revela que compreender sua condição foi um processo longo e desafiador. Durante muitos anos, evitou falar publicamente sobre o assunto por medo da rejeição. Ao perceber que sua história poderia alcançar e ajudar outras pessoas, decidiu utilizar sua visibilidade para promover informação e representatividade.
Esse processo de descoberta ganhou os palcos com “SURDA”, monólogo escrito por Julia Spadaccini e dirigido por Débora Lamm. Na montagem, Benedita interpreta uma mulher que enfrenta a perda progressiva da audição e precisa lidar com os impactos da condição em sua vida familiar, afetiva e profissional.
A produção reúne teatro, projeções, efeitos sonoros, emoção e humor para apresentar uma realidade ainda pouco compreendida. O espetáculo também procura desconstruir estereótipos ao mostrar que nem toda deficiência é visível e que a surdez pode se manifestar de diferentes formas.
A identificação de Benedita com a personagem torna a apresentação ainda mais intensa. Assim como a autora do texto, a atriz é uma mulher surda oralizada e leva ao palco experiências que atravessam sua própria história. A montagem conta ainda com intérprete de Libras, reforçando seu compromisso com a acessibilidade.
Depois de uma temporada elogiada no Teatro Poeirinha, “SURDA” chegou ao Teatro Firjan SESI Centro para uma curta temporada. A última apresentação acontece nesta terça-feira (18), às 19h, encerrando uma sequência de sessões realizadas nos dias 10, 11, 17 e 18 de agosto.
Mais do que uma estreia nos palcos, o trabalho representa um encontro de Benedita Casé com sua própria história. Ao transformar vivências, desafios e descobertas em arte, ela amplia a discussão sobre inclusão e convida o público a enxergar primeiro a pessoa, antes de qualquer deficiência.





