Equipes de resgate e voluntários correm contra o tempo nesta terça-feira (11) para encontrar sobreviventes do terremoto mais forte registrado na Colômbia na última década. O tremor de magnitude 7,4 deixou pelo menos 224 mortos, mais de 500 feridos e dezenas de desaparecidos, segundo o balanço mais recente das autoridades.
A tragédia levou hospitais ao limite, provocou o desabamento e danos estruturais em dezenas de prédios e obrigou autoridades a adotar medidas emergenciais em cidades do oeste do país.
Em Cali, terceira maior cidade colombiana, a rede hospitalar atingiu a capacidade máxima. As autoridades decretaram toque de recolher e determinaram a presença de militares nas ruas para garantir a segurança e facilitar o trabalho das equipes de emergência.
O presidente Abelardo de la Espriella, que havia tomado posse quatro dias antes, declarou estado de emergência nacional e anunciou uma ampla operação de resposta ao desastre.
Pelo menos 18 unidades de saúde e 52 instituições de ensino sofreram danos. Seis aeroportos também foram afetados e tiveram as operações comerciais suspensas.
Tremor provocou pânico no oeste do país
O terremoto ocorreu às 7h34 no horário local (9h34 em Brasília), segundo os serviços geológicos da Colômbia e dos Estados Unidos. O epicentro foi localizado no município de San José del Palmar, no departamento de Chocó, a 103 quilômetros de profundidade.
Logo após o tremor, milhares de pessoas deixaram suas casas e foram para as ruas. Em diferentes cidades, edifícios desabaram ou apresentaram danos estruturais graves.
Nas áreas mais atingidas, equipes de resgate trabalham entre os escombros para localizar possíveis sobreviventes. Voluntários também participam das buscas, muitas vezes utilizando ferramentas básicas e as próprias mãos.
Hospitais de Cali ficam lotados
Cali está entre as cidades mais afetadas. Até o momento, foram contabilizadas 26 mortes e 456 feridos no município.
A situação dos hospitais se agravou depois que quatro grandes unidades de saúde precisaram ser evacuadas por causa dos danos provocados pelo terremoto.
No Hospital Universitario del Valle Evaristo García, um dos principais centros de alta complexidade da cidade, parte de uma ala desabou. Pacientes e serviços foram transferidos para estruturas improvisadas instaladas no estacionamento e em áreas verdes do complexo.
Também foram registrados danos estruturais na Clínica Nuestra Cali, na Clínica Dessa e na Clínica Colombia.
Diante da superlotação, cirurgias, consultas ambulatoriais e outros procedimentos não urgentes foram suspensos temporariamente. A medida tem como objetivo liberar equipes e leitos para o atendimento às vítimas do terremoto.
Toque de recolher é decretado
O cenário de emergência também levou as autoridades a restringirem a circulação de pessoas.
Em Cali, o toque de recolher foi determinado entre as 20h de segunda-feira e as 6h desta terça. A cidade também foi militarizada.
Segundo o prefeito Alejandro Eder, a medida tem como objetivo proteger a população, garantir a circulação das equipes de emergência e evitar saques.
“Há ameaças de saques. Por isso determinei o toque de recolher e a militarização de Cali”, afirmou.
A prefeitura também decretou estado de calamidade pública para concentrar recursos e esforços no atendimento às regiões mais afetadas.
Em Pereira, outro município atingido, também houve toque de recolher, das 18h de segunda-feira às 5h desta terça. A medida foi adotada para proteger o comércio local.

Risaralda concentra maior número de mortes
O departamento de Risaralda é, até o momento, a região com maior número de vítimas, com 60 mortes confirmadas.
Além das vítimas, os hospitais locais enfrentam superlotação. Segundo as autoridades, 18 edifícios desabaram completamente e outros 60 sofreram danos parciais na região.
Os trabalhos de busca continuam, principalmente em locais onde há suspeita de pessoas presas sob os escombros.
Ajuda internacional
A dimensão da tragédia mobilizou governos e organizações internacionais.
O terremoto foi sentido também em regiões de países vizinhos, como Venezuela, Equador e Panamá.
A União Europeia anunciou a disponibilização do sistema de observação por satélite Copernicus para auxiliar as equipes colombianas nas operações de resgate e avaliação dos danos.
Os Estados Unidos ofereceram US$ 15,5 milhões, cerca de R$ 79 milhões, para apoiar a resposta à emergência.
Israel, México, Chile, Argentina e El Salvador também anunciaram medidas de apoio à Colômbia.
O Itamaraty informou que acompanha os esforços de busca e assistência e afirmou estar à disposição para colaborar com as autoridades colombianas.





