As negociações para a retomada do tráfego marítimo pelo estratégico Estreito de Ormuz avançaram nos últimos dias, segundo Irã e Omã. Apesar do tom positivo adotado pelos dois países, Teerã afirma que a reabertura da passagem dependerá do cumprimento de seis condições apresentadas aos Estados Unidos.
As conversas envolvem uma possível nova rota de navegação pelo estreito, cuja operação seria compartilhada entre Irã e Omã. A expectativa é de que um acordo permita a retomada gradual do tráfego em uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo.
Em comunicado divulgado pela emissora estatal iraniana IRIB, Mohammad Bagher Zolghadr, ex-secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional e atual assessor do líder supremo do Irã, afirmou que os Estados Unidos precisam “corrigir” seu comportamento para que haja avanço nas negociações.
Veja as seis exigências do Irã
1. Garantias de que os EUA não voltarão a ameaçar o Irã
Teerã exige o fim das ameaças contra o país e garantias de que novas ações desse tipo não ocorrerão. O governo iraniano também pede que os Estados Unidos não utilizem linguagem considerada ofensiva aos valores e símbolos nacionais.
2. Fim das ações militares contra o Irã e seus aliados
O Irã quer o encerramento das ações militares não apenas contra seu território, mas também contra aliados e grupos parceiros no Líbano, Palestina, Iêmen e Iraque.
3. Fim do bloqueio naval e retirada das forças americanas
Outra exigência é o encerramento do bloqueio naval e a retirada das forças navais e aéreas dos arredores do território iraniano. Segundo Teerã, essa questão já fazia parte das negociações anteriores, mas agora está diretamente associada à reabertura do estreito.
4. Pagamento de indenizações ao Irã
O governo iraniano também cobra compensações pelos danos provocados em duas guerras que classifica como atos de agressão. A exigência envolve tanto o conflito de 12 dias ocorrido em 2025 quanto a guerra mais recente.
5. Suspensão das sanções econômicas
Teerã exige o levantamento das sanções impostas pelos Estados Unidos ao país. A redução das restrições econômicas já estava entre os temas previstos para um possível acordo definitivo, mas agora o Irã quer vinculá-la à retomada da navegação pelo Estreito de Ormuz.
6. Liberação de ativos iranianos congelados
A sexta condição é a liberação de bens e recursos iranianos bloqueados no exterior. A exigência também já havia aparecido em negociações anteriores.
Exigências representam endurecimento
Para Sebastian Usher, analista da BBC para o Oriente Médio, a nova posição representa um endurecimento da estratégia iraniana.
Segundo ele, as condições já estavam presentes, em alguma medida, no acordo-quadro discutido anteriormente, mas o momento e a forma como Teerã passou a vinculá-las à reabertura do estreito mudaram.
O Irã estaria se sentindo em uma posição mais favorável porque o Estreito de Ormuz permanece, na prática, fechado.
Trita Parsi, vice-presidente executivo do Quincy Institute, avalia, porém, que as exigências apresentadas publicamente podem fazer parte de uma estratégia de negociação.
“O que foi apresentado publicamente não é necessariamente o que se reflete na mesa de negociações”, afirmou.
Segundo Parsi, integrantes da linha-dura iraniana consideram que o país teria avançado rapidamente demais ao aceitar o memorando de entendimento em junho. O acordo durou poucos dias antes de novos ataques entre as partes interromperem o processo.
O analista avalia que Teerã pode estar tentando evitar repetir o que considera um erro estratégico. Uma das hipóteses levantadas é que o prolongamento das negociações poderia pressionar os preços do petróleo e aumentar os custos econômicos globais, ampliando o poder de barganha do Irã.
Apesar do impasse, Parsi acredita que um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz ainda pode ser alcançado nos próximos dias.
Por que o Estreito de Ormuz é importante?
Localizado entre o Irã e Omã, o Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas para o comércio internacional de petróleo e derivados. Qualquer interrupção prolongada da navegação pela região pode afetar o abastecimento global e pressionar os preços da energia.
Por isso, governos e empresas acompanham de perto as negociações entre Teerã e Washington. A eventual retomada do tráfego pelo estreito poderá ter impacto direto sobre o transporte marítimo e o mercado internacional de petróleo.





