A intensa seca que atinge a Europa vem provocando impactos econômicos, ambientais e históricos. O nível de importantes rios do continente caiu a patamares recordes, prejudicando rotas comerciais, restringindo o uso da água e revelando vestígios da Segunda Guerra Mundial e de períodos ainda mais antigos.
Um dos casos mais impressionantes ocorreu no Rio Danúbio, na Sérvia, onde um navio de guerra nazista, afundado em 1944 para tentar impedir o avanço das tropas soviéticas, voltou a ficar visível após o recuo das águas. Na Hungria, a seca expôs uma bomba da Segunda Guerra Mundial, enquanto na Bulgária pesquisadores encontraram ossos de mamute, espécie extinta há milhares de anos.
O Danúbio, segundo maior rio da Europa, atravessa ou faz fronteira com dez países e enfrenta uma das piores estiagens já registradas.

Transporte e abastecimento comprometidos
Além das descobertas arqueológicas, a seca afeta diretamente a economia europeia. Na Alemanha, o Rio Reno, principal corredor hidroviário do país, atingiu o menor nível de sua história, dificultando o transporte de matérias-primas como carvão, petróleo, grãos e minério.
Com embarcações obrigadas a reduzir a carga ou interromper a navegação, caminhões e ferrovias não conseguem suprir toda a demanda logística, aumentando os custos e pressionando diversos setores da economia.
Na Polônia, o Rio San também atingiu nível mínimo histórico, levando as autoridades a restringirem o uso industrial da água. O país enfrenta alertas de seca e calor extremo.
Já na fronteira entre França e Suíça, o tradicional Lago Brenet, conhecido por atrair turistas durante o verão europeu, praticamente secou.

Reino Unido também sofre com estiagem
Nem mesmo o Reino Unido, conhecido pelo clima úmido, escapou dos efeitos da seca. Londres entrou oficialmente em situação de estiagem, enquanto diversas áreas verdes perderam a vegetação característica da estação.
Em algumas regiões britânicas, julho registrou menos de 1% da média histórica de chuvas, e quase 80% dos rios da Inglaterra estão abaixo dos níveis considerados normais. A falta de água já levou produtores rurais a anteciparem colheitas, enquanto autoridades alertam para o aumento do risco de incêndios florestais.
Especialistas afirmam que a infraestrutura europeia ainda não está preparada para enfrentar a velocidade das mudanças climáticas.
Segundo hidrólogos, o problema vai além das ondas de calor. A redução das chuvas e a ocorrência de tempestades rápidas e intensas dificultam a reposição dos reservatórios e agravam a escassez hídrica em diversas regiões do continente.
Cientistas também alertam que, sem adaptações nos sistemas de abastecimento, agricultura e infraestrutura, a Europa poderá enfrentar episódios cada vez mais frequentes de falta de água nas próximas décadas.





