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GCM de Cabo Frio aposta em capacitação técnica e patrulhamento preventivo

Em entrevista ao podcast Expressão do Povo, o comando da corporação detalha a transição histórica do patrulhamento reativo para a gestão científica da segurança urbana na Região dos Lagos

CAPACITAÇÃO INÉDITA
Comandante detalha novo padrão de treinamento da Guarda de Cabo Frio

A Guarda Civil Municipal de Cabo Frio está reformulando a sua atuação nas ruas. Em entrevista ao podcast Expressão do Povo, o comandante Ângelo Amaral e o subinspetor-geral e psicólogo Eliezer da Mata detalharam como a corporação vem trocando a resposta reativa por ações focadas em planejamento, tecnologia e presença preventiva.

A segurança pública municipal vive um momento de profunda transformação na Região dos Lagos. Longe do modelo antiquado de patrulhamento puramente reativo, a Guarda Civil Municipal de Cabo Frio tem apostado em capacitação técnica rigorosa, inteligência estratégica e inovação tecnológica para redefinir o seu papel perante a sociedade.

A virada de chave na corporação foi o tema central de uma edição do podcast Expressão do Povo, transmitido pelo canal do YouTube @expressaodopovocf. A conversa reuniu o comandante da instituição, Ângelo Amaral, e o subinspetor e psicólogo Eliezer da Mata, que detalharam os bastidores dessa reestruturação e os desafios diários de proteger a cidade.

Durante a entrevista, o comando destacou que a segurança pública municipal deixou de ser tratada como improviso para se consolidar como uma verdadeira ciência humana. Em vez de focar apenas na prisão após o delito consumado, a estratégia da corporação prioriza a ocupação preventiva de espaços sensíveis, fundamentada na análise de dados estatísticos fornecidos por ferramentas integradas.

“A segurança pública é uma ciência. Existe o lado humano daqueles que cometem o delito e existe o lado humano daqueles que estão na atividade para impedir que o delito venha a ocorrer. Então essa parte científica é importante para que a Guarda Municipal esteja preparada, conhecendo as atribuições pertinentes às atividades do agente e aquilo que ele possa contribuir com a sociedade para que ela viva em harmonia, numa situação de conforto e de paz”, avalia Amaral.

O comandante ressaltou que o uso de relatórios gerenciais permite coibir delitos recorrentes que afetam diretamente a qualidade de vida da população, a exemplo da poluição sonora gerada por descargas adulteradas de motocicletas, problema que perturba o sossego de trabalhadores e idosos em diversos bairros cabo-frienses.

“Temos trabalhado muito com o ruído zero, focando em motos barulhentas. Recebemos muitas informações da própria sociedade através do 153. Tem gente que acha que barulho até às 10 horas da noite pode, mas não pode. Porque existem pessoas que trabalham à noite e precisam descansar de dia, tem idosos e crianças pequenas. Essa história de que pode perturbar até às 10 horas é um mito. Nos lugares urbanos, existe a lei de postura no município que determina o limite de ruído. Se o local é urbano, o ruído tem que ser o mínimo possível”, pontua.

INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

O ponto alto da modernização tecnológica da corporação é a adoção de novas ferramentas voltadas estritamente para a preservação da vida. Recentemente, a Guarda Civil concluiu um ciclo intensivo de capacitação para o emprego de armamentos e dispositivos de menor potencial ofensivo da marca Byrna, tecnologia de fabricação americana já utilizada por forças de segurança em metrópoles internacionais como Nova York e Córdoba.

“Em Cabo Frio, a Guarda Municipal tem trabalhado incessantemente no treinamento. A gente recebeu na semana passada o armamento não letal da Byrna, que é uma empresa americana. É a primeira instituição de segurança pública do Brasil que utiliza esse tipo de tecnologia avançada. Então o pessoal está dentro de sala de aula treinando para que a Guarda Municipal venha corresponder aos anseios da sociedade”.

Com essa iniciativa pioneira no cenário nacional, a corporação fluminense incorpora recursos avançados de contenção que reduzem drasticamente os riscos letais em ocorrências urbanas complexas. A atuação está devidamente amparada pela Lei Federal nº 13.022/2014 (Estatuto Geral das Guardas Municipais), diploma que autoriza o uso de equipamentos de menor potencial ofensivo em harmonia com as diretrizes do SUSP (Sistema Único de Segurança Pública).

“Estamos falando sobre o uso diferenciado da força, ou seja, qual é a progressão que a gente pode fazer ao encontrar o delito. A gente também tem que humanizar as ações. Existe dentro da Guarda Municipal muitas atividades relacionadas à educação e à estratégia para sanar o crime. Uma delas é ocupar espaço. A gente tem treinado e estudado onde estão ocorrendo as infrações para ocupar esses locais antes que o delito ocorra. É muito mais vantajoso para a sociedade evitar o confronto e garantir a paz”.

SAÚDE MENTAL DOS AGENTES

Um dos diferenciais mais evidentes na nova fase da instituição é a atenção dedicada à saúde psicológica dos agentes. A preparação da tropa envolve simulações práticas e oficinas que recriam cenários urbanos reais para treinar o autocontrole e a inteligência emocional sob pressão extrema.

O subinspetor e psicólogo Eliezer da Mata explicou detalhadamente como o cérebro humano reage em situações de crise e a importância de criar repertórios mentais sólidos através do treinamento continuado e de escutas ativas regulares.

“A tomada de decisão é um processo cognitivo e emocional de selecionar uma opção entre várias alternativas disponíveis. Sem treinamento e sem saber lidar com isso, a tomada de decisão perde um pouco de valor”, afirma Da Mata.

Esse suporte multidisciplinar é vital para o efetivo diário, que precisa conciliar missões complexas como o patrulhamento escolar em dezenas de unidades de ensino e a escolta rigorosa de mais de mil medidas protetivas vinculadas a programas essenciais como a Patrulha Maria da Penha.

DESAFIOS NO ORDENAMENTO URBANO

A doutrina do uso diferenciado da força também ganhou espaço de destaque na conversa. O protocolo operacional estabelece uma progressão lógica e inegociável que começa com a simples presença física fardada, passa pela verbalização técnica e técnicas defensivas corporais, avança para os armamentos não letais e reserva o uso da força letal estritamente para situações extremas de defesa da vida.

“Imagina se a pessoa está despreparada, ela vai do primeiro ao último e já vai atirando. Então, esse passo a passo que é treinado em sala de aula é extremamente importante e tem que entrar no sangue, é igual andar de bicicleta”, disse o comandante Ângelo Amaral.

A conversa abordou ainda gargalos urbanos que geram revolta na comunidade, como a ocupação irregular de rampas de acessibilidade destinadas a cadeirantes e calçadas tomadas por veículos estacionados incorretamente. O comando firmou compromisso de intensificar operações de ordenamento e lembrou que a participação da sociedade através de denúncias direcionadas ao telefone 153 é indispensável para garantir respostas rápidas do poder público.

A entrevista completa com o comandante Ângelo Amaral e o subinspetor Eliezer da Mata traz reflexões profundas sobre o futuro da segurança municipal e pode ser conferida na íntegra no canal do YouTube @expressaodopovocf.

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