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Antes de um possível infarto, fisiculturistas apresentam alterações cardíacas, apontam estudos

A morte do fisiculturista baiano Mailson Araújo reacendeu o debate sobre os riscos cardiovasculares associados ao esporte de alto rendimento e ao uso de anabolizantes. Estudos e laudos de necropsia de atletas revelam um padrão recorrente: corações significativamente maiores que o normal, condição que pode aumentar o risco de insuficiência cardíaca, arritmias e morte súbita.

Um dos casos mais conhecidos é o do norte-americano Dallas McCarver, que morreu aos 26 anos, em 2017. A necropsia mostrou que seu coração pesava 833 gramas — mais que o dobro do esperado para um adulto. O exame também identificou espessamento do ventrículo esquerdo, acúmulo de placas nas artérias e concluiu que o uso prolongado de esteroides anabolizantes contribuiu para a morte. A análise toxicológica apontou níveis de testosterona sintética mais de 30 vezes acima do considerado normal.

Nos últimos meses, outros casos chamaram atenção no Brasil, como as mortes de Mailson Araújo, Gabriel Ganley, Edson da Silva Ferreira e Wanderson da Silva Moreira, todas relacionadas a problemas cardíacos ou ocorridas de forma súbita.

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Estudos apontam risco elevado

Pesquisa publicada no European Heart Journal, que acompanhou mais de 20 mil fisiculturistas durante 16 anos, identificou que atletas profissionais apresentam taxa de morte súbita cardíaca cinco vezes maior que a dos praticantes amadores. Entre competidores do Mr. Olympia, foram registradas sete mortes para cada 100 atletas, com idade média de apenas 36 anos.

Especialistas explicam que o aumento do coração pode ocorrer como adaptação natural aos treinos intensos, mas destacam que o crescimento provocado pelo uso de anabolizantes tende a ser mais grave. Nesses casos, o órgão pode perder força para bombear sangue, evoluir para insuficiência cardíaca e sofrer alterações irreversíveis.

Outro estudo, publicado em 2025 na revista Circulation, apontou que usuários de anabolizantes apresentam risco quase nove vezes maior de desenvolver cardiomiopatia, além de maior probabilidade de infarto e insuficiência cardíaca.

Necropsias reforçam padrão

Levantamentos científicos baseados em necropsias de fisiculturistas na Itália, Espanha e Estados Unidos identificaram corações muito acima do peso considerado normal, espessamento acentuado das paredes cardíacas e obstruções importantes nas artérias coronárias. Segundo os pesquisadores, essas alterações aparecem de forma recorrente em atletas com histórico de uso prolongado de esteroides anabolizantes.

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Diagnóstico ainda é um desafio

Embora especialistas apontem forte associação entre anabolizantes e problemas cardíacos, comprovar essa relação após a morte nem sempre é simples. Como essas substâncias são semelhantes aos hormônios produzidos naturalmente pelo organismo, os exames toxicológicos convencionais muitas vezes não conseguem identificá-las. Assim, diversos atestados de óbito registram apenas a causa imediata, como infarto ou cardiomiopatia, sem mencionar o possível uso de esteroides.

Médicos reforçam que não existe uso seguro de anabolizantes para fins estéticos e alertam que os danos ao coração podem surgir de forma silenciosa, tornando a prevenção e o acompanhamento médico fundamentais para reduzir os riscos.

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