O governo dos Estados Unidos anunciou a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre parte dos produtos exportados pelo Brasil, ampliando as tensões comerciais entre os dois países. A medida foi confirmada nesta quarta-feira após o presidente Donald Trump acatar a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que concluiu uma investigação iniciada há cerca de um ano.
A decisão foi baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, utilizada para responder a práticas consideradas desleais. Segundo o USTR, políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, sistemas de pagamento como o Pix, mercado de etanol, combate ao desmatamento ilegal, propriedade intelectual e pirataria criam insegurança jurídica e prejudicam empresas norte-americanas.
A lista dos produtos que serão atingidos pela nova tarifa deve ser divulgada nesta quinta-feira. O governo brasileiro informou que fará uma análise detalhada antes de anunciar eventuais medidas.
A nova sobretaxa se soma à tarifa de 10% já aplicada sobre determinados produtos brasileiros. Além disso, uma segunda investigação conduzida pelos EUA propõe outra tarifa adicional de 12,5%, sob a alegação de falhas no combate ao trabalho forçado. Caso as medidas sejam cumulativas, alguns produtos brasileiros poderão enfrentar uma taxação total de até 37,5%.
De acordo com estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 4.187 produtos, que representam aproximadamente US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras, podem ser afetados caso todas as sobretaxas entrem em vigor.
Governo busca negociação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para discutir a estratégia do governo diante da decisão norte-americana. O encontro ocorreu sem declarações à imprensa.
Nos últimos meses, representantes dos governos brasileiro e americano realizaram cinco reuniões de alto nível para tentar evitar o agravamento da disputa comercial. Em nota, o Palácio do Planalto classificou as medidas como injustas e reafirmou que continuará apostando na negociação diplomática.
O Ministério da Fazenda também estuda os impactos da nova tarifa sobre os diferentes setores da economia antes de definir possíveis ações de apoio às empresas brasileiras.
O ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, afirmou que qualquer medida será adotada apenas após uma avaliação detalhada dos prejuízos provocados pelas tarifas, preservando o compromisso com o equilíbrio fiscal.
Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que a investigação americana utilizou reclamações antigas de setores empresariais dos Estados Unidos e consideram que a decisão possui forte componente político, alinhado à política protecionista da administração de Donald Trump. Apesar disso, o Planalto mantém como prioridade a busca por uma solução negociada antes de discutir eventuais medidas de retaliação.




