
Nos últimos dias, segundo o diário oficial e fontes do próprio governo, Serginho teria promovido uma limpeza política no núcleo ligado ao vice, exonerando nomes indicados por Miguel e retirando dele o comando da Secretaria da Cidade (hoje) — função que acumulava paralelamente ao cargo de vice-prefeito. A decisão é interpretada como um recado direto, em meio ao desgaste provocado por conspirações e pela repercussão negativa de fatos ligados à Câmara Municipal na gestão anterior, de Magdala Furtado, que voltaram ao noticiário nacional.
Mas o rompimento vai além de cargos.
Miguel Alencar e o ex-vereador Aquiles Barreto passaram a ser vistos, dentro do próprio grupo governista, como articuladores de um movimento paralelo. No centro dessa leitura está a construção da pré-candidatura da jornalista mineira Ana Paula Mendes, que, nos bastidores, é tratada como peça pensada para dividir o eleitorado local contra os cabo-frienses Dra. Gabriela e Marquinho Mendes.
A situação se agrava com relatos recorrentes de que Miguel teria atuação direta nesse processo, mantendo diálogo diário com a mineira e contribuindo com orientações políticas estratégicas — especialmente no sentido de posicioná-la como antagonista do governo, inclusive contra a própria irmã do prefeito.
A relação entre Miguel e Ana Paula, segundo interlocutores, não é recente. Remonta ao projeto Vota Rio, em 2024, quando ambos participaram de uma reunião reservada na sede da SEIDEL, no Portinho. Desde então, o vínculo político teria evoluído para um alinhamento mais estruturado.
Outro elemento que circula com força nos bastidores envolve questionamentos sobre uma empresa que já teve ligação com o nome de Miguel e que venceu um contrato na Secretaria de Educação. O tema ainda demanda esclarecimentos formais, mas já entrou no radar político como mais um fator de desgaste.
E, no meio desse cenário, surge um ingrediente que tem irritado ainda mais o núcleo duro do governo: a atuação de grupos que se apresentam como veículos de comunicação, mas que, na verdade, são tratados sem rodeios como mercenários do falso jornalismo. Perfis e páginas de cabos eleitorais de Magdala que, segundo aliados do prefeito, operam com objetivos claros de desestabilização política e tentativa de extorsões.
Diante desse conjunto de movimentos, a decisão de Serginho de afastar Miguel de seu governo passa a ser lida não apenas como reorganização administrativa, mas como rompimento definitivo a uma bomba relógio.




